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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Avaliação Segundo Ano/ Segundo Bimestre

Você certamente já ouviu falar muito em "trabalho". Ao longo das aulas, você pôde conhecer a abordagem sociológica para esse conceito. Ela não é a única. Compare as seguintes definições de "trabalho", dadas por três diferentes disciplinas:

Sociologia/ Ciências Sociais
O trabalho é uma relação social produtiva submetida às exigências técnicas e materiais da produção. Portanto, o trabalho deve ser explicado no âmbito das especificidades de uma dada sociedade. Para Marx, por exemplo, o trabalho assalariado objetivado é o trabalho da época capitalista.
Fonte: SPURK, Jan. A noção de trabalho em Karl Marx. In: MERCURE, Daniel; SPURK, Jan (Org.). O trabalho na história do pensamento ocidental. Petrópolis: Vozes, 2005.


Filosofia
Para o filósofo alemão Jürgen Habermas, o trabalho é uma ação racional com respeito a fins, por meio da qual homens e mulheres se apropriam da natureza em busca da sobrevivência e interagem comunicativamente entre si.
Fonte: HABERMAS, Jürgen. Técnica e ciência enquanto tecnologia. In: Textos escolhidos. v. XLVIII. São Paulo: Abril Cultural, 1975. p. 310-311. (Os Pensadores)


Física
Realizar trabalho em Física implica a transferência de energia de um sistema para outro e, para que isso ocorra, são necessários uma força e um deslocamento adequados.
Fonte: DOCA, Ricardo Helou; BISCUOLA, Gualter José; VILLAS BÔAS, Newton. Física. São Paulo: Moderna, 2010.

Utilizando sua criatividade, escolha um dos projetos a seguir para realizar, individualmente ou em grupo:
  1. escrever um poema (individual/ postagem Facebook, email ou papel);
  2. escrever uma paródia de uma música famosa (individual ou em dupla/ postagem Facebook, email ou papel);
  3. compor uma música e sua letra (individual ou em dupla/ postagem no Sound Cloud ou Facebook);
  4. fazer um vídeo curta-metragem de um minuto (até 4 componentes/ postagem no Facebook);
  5. elaborar, escrever o roteiro e gravar um programa de rádio (até 4 componentes/ postagem no Sound Cloud ou Facebook);
  6. fazer uma obra de artes visuais - pintura, desenho, instalação (individual/ postagem em rede social ou entrega física);
  7. elaborar uma história em quadrinhos, charge ou tira (individual ou em dupla/ postagem Facebook, email ou papel);
  8. tirar fotografias, relacioná-las e realizar uma exposição virtual (até 4 componentes/álbum compartilhado no Facebook em modo público).
O seu projeto deve estaelecer uma comparaçao ou relação entre as três definições apresentadas anteriormente.
Caso tenha outra ideia de projeto artístico-lúdico para trabalhar o tema, converse com o professor sobre a possibilidade de realizá-la.

Atividade retirada do livro Sociologia - Ensino Médio, Editora Scipione. Autores: ARAÚJO, Silvia Maria; BRIDI, Maria Aparecida; MOTIM, Benilde Lenzi.
 

sábado, 9 de maio de 2015

Tempos modernos

Uma apropriação prática da filosofia taylorista é o fordismo. Proprietário da Ford Motor Company, nos EUA, Henry Ford inovou o cenário industrial a partir de 1914, ao produzir modelos padronizados e em grandes quantidades - o que barateava os custos de produção -, visando o consumo em massa. Para isso, foi criada a linha de montagem em série, na qual os trabalhadores se fixavam em seus postos e os objetos de trabalho se deslocavam em trilhos ou esteiras (veja o vídeo abaixo). Cada trabalhador deveria ser especializado em uma única tarefa, com o ritmo ditado pela linha de produção. Ao repetir movimentos iguais incessantemente, o operário atuava como uma peça da máquina, alienado do conjunto do seu trabalho.
Adaptado de Sociologia em Movimento, Ed. Moderna.


quarta-feira, 18 de março de 2015

Mulheres na publicidade

“Não existem muitos casos de propagandas machistas no Brasil porque a publicidade brasileira é madura para perceber que a pior coisa que pode fazer é irritar o consumidor, seja ele mulher, homem ou criança. De qualquer forma, nós não temos uma declaração oficial a respeito desse assunto”. Essa foi a resposta da assessoria de imprensa do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), por telefone, à pergunta da Pública referente a algumas peças publicitárias lançadas no Carnaval e no Dia Internacional da Mulher, rechaçadas nas redes sociais por serem consideradas machistas – algumas inclusive retiradas de circulação. O Conar é um órgão de autorregulamentação das agências publicitárias, encarregado de receber denúncias de consumidores ou órgãos públicos e julgar se a propaganda deve ser tirada do ar e a agência eventualmente advertida. Das 18 denúncias de machismo em propaganda recebidas em 2014 (pesquisadas pela Pública no site do Conselho), 17 foram arquivadas, e apenas uma, da cerveja Conti, que dizia em sua página do Facebook “tenho medo de ir no bar pedir uma rodada e o garçom trazer minha ex” terminou com um pedido de suspensão e advertência da agência que realizou a campanha.
Outra campanha, do site de classificados bomnegócio.com, em que o Compadre Washington chamava uma mulher de “vem ordinária”,que havia recebido pedido de suspensão, foi posteriormente reavaliada e o processo arquivado. As justificativas das decisões geralmente são de que as propagandas não são machistas mas sim humorísticas, como esta de março de 2014, referente a um spot de rádio da Itaipava: “Uma consumidora paulistana entendeu haver preconceito machista em spot de rádio da cerveja Itaipava. A anunciante e sua agência alegam o caráter evidentemente humorístico da peça publicitária. O relator aceitou esse ponto de vista e recomendou o arquivamento, voto aceito por unanimidade”.
A visão do Conar parece ser compartilhada pela maioria das agências, criadoras das peças publicitárias. Chamada a dialogar sobre a campanha “Verão” em que uma mulher chamada Vera é impedida de passar por um homem na praia, ela tentando correr e ele barrando sua passagem com o slogan “não deixe o Verão passar” ou em uma que ela leva e traz cervejas para os homens só de biquíni enquanto eles olham para seu corpo e chamam “vem Verão, vai Verão” ou ainda uma terceira em que a moça aparece de biquíni com uma lata e uma garrafa de cerveja na mão com o slogan “faça sua escolha” com a indicação de 300, 350 ou 600 ml – estes em uma alusão ao silicone do seio da modelo, a agência preferiu se pronunciar apenas por e-mail de sua assessoria de imprensa. “A Y&R, agência que criou a campanha, respeita, bem como seu cliente, todas pessoas e em especial as mulheres. Em momento nenhum faz qualquer tipo de alusão para desmerecer ou agredir quem quer que seja e considera que o humor utilizado não tem tom de agressividade ou qualquer juízo de valor”.
Peça publicitária da campanha “Verão” da Itaipava / Reprodução
Peça publicitária da campanha “Verão” da Itaipava / Reprodução
As entrevistas também foram negadas pela agência F/Nazca Saatchi & Saatchi, responsável pela campanha da Skol para o Carnaval que teve que mudar a campanha depois que seus cartazes de “Deixei o não em casa” foram pichados com a frase complementar “mas trouxe o nunca” por duas garotas de São Paulo, e pela Ajinomoto do Brasil, fabricante da Sopa Vono, que teve sua fanpage no Facebook invadida por reclamações por peças consideradas machistas e também teve de tirá-las do ar. Via assessoria de imprensa a F/Nazca Saatchi & Saatchi e a Ajinomoto disseram que lamentam o ocorrido, respeitam as mulheres, que o objetivo da peça era humorístico e que estão repensando suas estratégias.
De onde surge então o machismo das peças criadas pelas agências? Uma nova pista surgiu quando através de um pedido feito em um grupo fechado no Facebook, 15 mulheres de 20 a 40 anos, atuantes em áreas diversas da publicidade contaram à Pública como é o ambiente em que trabalham, dentro das agências. Os relatos, feitos sob anonimato pelo temor de perder o emprego, trazem casos de abuso, assédio e violência psicológica que viveram ou ainda vivem em suas carreiras. Trechos destes depoimentos estão destacados ao longo do texto.

A campanha de Vono que foi retirada do ar após reclamações na fanpage da marca
A campanha de Vono que foi retirada do ar após reclamações na fanpage da marca
Anúncio da Skol e a intervenção de Mila Alves e Pri Ferrari. A foto teve mais de 8 mil curtidas no Facebook / Foto: Reprodução
Anúncio da Skol e a intervenção de Mila Alves e Pri Ferrari. A foto teve mais de 8 mil curtidas no Facebook / Foto: Reprodução
“Antes de falarmos sobre publicidade machista, temos que falar sobre machismo na publicidade” argumenta a diretora de criação Thaís Fabris, idealizadora do projeto 65|10 que discute o papel da mulher na publicidade. “O ‘65’ vem do dado de uma pesquisa do Instituto Patrícia Galvão que aponta que 65% das mulheres brasileiras não se identificam com a publicidade e com a forma com que são retratadas pela publicidade. O número ‘10’ é de uma pesquisa que nós fizemos que mostrou que apenas 10% dos criativos dentro das agências brasileiras são mulheres. E é na criação que as campanhas são feitas”.

Mais um anúncio da Skol
Mais um anúncio da Skol
A gerente de planejamento Carla Purcino concorda: “Quando a gente olha para a representatividade feminina na publicidade percebe que é praticamente 50%. Mas a distribuição dentro dos departamentos é muito diferente. Entende-se que a criação é um reduto masculino e que a mulher é mais adequada para o departamento de atendimento. E na maioria das vezes as mulheres do atendimento precisam ser bonitas para seduzir os clientes. Quem trabalha no meio sabe de agências que já demitiram times inteiros de funcionárias dessa área por não serem tão bonitas. ‘Contratem garotas bonitas’. E isso obviamente influencia sobremaneira o resultado final”. As duas disseram topar dar o nome por trabalharem hoje em agências mais inclusivas mas Carla lembra que chegou a ouvir de um diretor de uma agência onde trabalhou, após pedir a negociação de alguns direitos trabalhistas, que “se ela fosse homem ele meteria a mão na sua cara”. Por outro lado, por se colocar contra campanhas machistas nas agências onde trabalhou, ela já foi chamada a ajudar quando uma delas foi atacada nas redes sociais: “Me pediram ajuda para contornar a situação e a gente conseguiu resolver mas a coisa ainda acontece muito de fora pra dentro. Por pressão das pessoas as agências são obrigadas a resolver aquelas campanhas pontuais, a coisa não parte de dentro pra fora. É algo como ‘ai, que gente chata’. E as publicitárias ainda têm muito medo de se pronunciar. Elas normalmente se calam diante de piadas e colocações machistas para não perderem seus empregos. Tem uma grande agência que entrega, na festa de fim de ano, um prêmio chamado ‘calota de ouro’ referindo-se ao volume da vagina da mulher. E para sobreviver, elas acabam entrando no jogo”.

Veja aqui, imagens encontradas da festa da agência África em 2010.
“Trabalhei para marcas como Brahma, Skol e Budweiser, em que o machismo impera em qualquer peça de comunicação. Por mais que tentássemos abrandar ou mostrar um novo viés para a campanha, sempre éramos obrigadas a seguir os conceitos e o lugar-comum das marcas de cerveja em que a mulher é só mais um ser criado para satisfazer e obedecer o homem”. R.J. 32
Como diretora de criação, Thaís diz que, para fazer parte do grupo, muitas mulheres também acabam se masculinizando e até reproduzindo esse machismo. “É a maneira que encontram de preservar suas carreiras. Emudecem e não questionam ou entram na lógica e reproduzem”.
Propaganda do Ministério da Justiça também foi considerada machista e retirada do ar / Foto: Reprodução
Propaganda do Ministério da Justiça também foi considerada machista e retirada do ar / Foto: Reprodução
Não existem dados oficiais sobre diferenças de salários e cargos na publicidade brasileira separados por gênero mas no geral, segundo o PNAD de 2013, mulheres recebiam cerca de 26,5% a menos que homens na mesma posição. E segundo a pesquisa “A mulher publicitária, preconceito e espaço profissional: estudo sobre a atuação de mulheres na área de criação em agências de comunicação em Curitiba” realizada em 2009, as mulheres correspondiam a menos de 20% nas áreas de criação. Em sua conclusão, o estudo aponta que muitas vezes as próprias mulheres contavam casos de discriminação sem entender como tal: “Percebe-se, assim, que a discriminação por parte do gênero masculino em relação ao feminino está tão enraizada na profissão, que acaba sendo acatada como uma manifestação sociocultural natural para as mulheres que trabalham dentro desses ambientes extremamente machistas. O discurso dos indivíduos que atuam na área, afirmando que existem mulheres que não servem para essa profissão por serem muito frágeis e fracas, é típico da construção hierárquica desigual da sociedade, que surge de seus tempos mais remotos.”
“Existe quase uma ordem natural de colocar as mulheres nas áreas de atendimento e gerenciamento de projeto do que em qualquer outra. existe uma série de piadas extremamente machistas e misóginas que ‘brincam’ com essa relação de mulher sempre virar atendimento”. F.B, 32
O anúncio da Always com Sabrina Sato que quer falar sobre vazamento menstrual e de imagens íntimas / Foto: Reprodução
O anúncio da Always com Sabrina Sato que quer falar sobre vazamento menstrual e de imagens íntimas / Foto: Reprodução
E você? O que você pensa sobre esse assunto?

Leia a matéria completa em: Machismo é a regra da casa - Geledés 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Desenvolvimento humano e capitalismo


Atualmente, no bojo da sociedade capitalista, a palavra "trabalho" nos remete, imediatamente, à ideia de emprego, ou seja, o trabalho em troca de salário, mas não necessariamente da satisfação das necessidades humanas. Por isso, para Marx, o capitalismo possibilitou a emergência da venda da força de trabalho em troca do que chamamos de salário. Trabalhamos ara termos condições de comprarmos outras coisas que julgamos precisar e que outras pessoas produzem e assim por diante. Neste sentido, é importante assinalar que o trabalho, mas do que realização humana é, hoje, um meio para o consumo - trabalha-se para se poder comprar.

Pesquisas apontam que, no contexto da sociedade capitalista, a classe trabalhadora produz para, com isso, obter condições de também consumir, mais do que atender às necessidades básicas de comer, vestir, morar, estudar e se distrair. O consumo passa a ser um elemento fundamental na manutenção dessas condições e torna o produto a ser comprado o elemento mais importante para a satisfação pessoal do trabalhador - uma corrida desesperada a ter cada vez mais aquilo que não se necessita.




Extrato adaptado de GUZZO, R.; TIZZEI, R.; ALVES, L. Sofrimento e vida: (Im) possibilidades de enfrentamento e superações. In: Psicologia Social: Perspectivas críticas de atuação e pesquisa.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Trabalho remunerado diminui tempo livre


Todas as análises que têm sido feitas demonstram que desde os anos 2000 o mercado de trabalho brasileiro tem melhorado muito: há, por exemplo, mais gente ocupada, menos desempregados e mais assalariados do ponto de vista formal, com carteira assinada. Mesmo assim, as pessoas estão trabalhando mais, de forma mais intensa, e esse tempo de trabalho está invadindo cada vez mais a vida particular das pessoas”, afirmou o técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea André Gambier Campos nesta quarta-feira, 21, em Brasília, durante a apresentação do Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) sobre Trabalho e tempo livre.
 
De acordo com a análise feita pelo Instituto, para um grupo dos entrevistados – de 30% e 50% deles – há uma percepção comum da relação entre o tempo de trabalho e o tempo livre: a de que o tempo de trabalho remunerado afeta de modo significativo, crescente e negativo o tempo livre. Isso, segundo o pesquisador, é um fenômeno preocupante, porque gera uma série de consequências negativas para a vida desses trabalhadores, como cansaço, estresse e desmotivação, além de prejuízo das relações familiares e de amizade, das atividades esportivas, educacionais etc.
 
Para André Gambier, não deixa de ser contraditório observar que a percepção desse grupo de entrevistados conflita com a leitura que se fez dos dados da PNAD/IBGE, os quais mostram uma aparente redução da importância do tempo de trabalho na vida cotidiana da população brasileira. Ele disse que parte da explicação pode ser uma “diluição” das fronteiras entre tempo de trabalho e tempo livre, já que para quase metade dos entrevistados, mesmo quando é alcançado o limite da jornada diária, o trabalho continua a acompanhá-los, até mesmo em suas casas.
 
O estudo aponta também que apesar da percepção comum de que o tempo de trabalho afeta de maneira significativa, crescente e negativa a qualidade de vida, somente um quinto dos entrevistados pensam em trocar de ocupação por conta disso. E ainda que a pesquisa não trate especificamente do tempo de trabalho não remunerado, desenvolvido no âmbito doméstico, traz algumas informações a respeito: esse tempo de trabalho é significativo na vida diária dos entrevistados – um quarto das respostas indicam que em caso de nova lei prevendo a diminuição da jornada de trabalho, a principal destinação do tempo livre seria o cuidado com a casa e a família.
 
O SIPS ouviu 3.796 pessoas residentes em áreas urbanas, das cinco regiões do país. A pesquisa analisa, por exemplo, se o trabalhador consegue se desligar das preocupações profissionais após o período de trabalho, se realiza outras atividades cotidianas, se o tempo dedicado ao trabalho compromete sua qualidade de vida, e a percepção a respeito da redução da jornada de trabalho.
 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Trabalho e Emprego

O trabalho flexibilizado e mundializado
O sociólogo brasileiro Octávio Ianni (1926-2004), no artigo "o mundo do trabalho", publicado em 1994 no periódico São Paulo em perspectiva (Seade), afirma que todas as mudanças no mundo do trabalho são quantitativas e qualitativas, e afetam a estrutura social nas mais diferentes escalas. Entre essas mudanças, ele aponta o rompimento dos quadros sociais e mentais que estavam vinculados a uma base nacional. Ele quer dizer que hoje, com o trabalho flexível e volante no mundo todo, pessoas migram para outros países em busca de trabalho. E, assim, nos países a que chegam, geralmente vivem em situação difícil, desenvolvendo trabalhos insalubres e em condições precárias. Além das dificuldades de adaptação, com frequência enfrentam problemas de preconceito racial, religioso e cultural.
O fenômeno dos decasséguis, os brasileiros descendentes de japoneses que se deslocam para trabalhar no Japão por curtas ou longas temporadas, é a expressão bem visível desse processo. Trabalham mais de 12 horas por dia e são explorados ao máximo. Alguns, mais qualificados, conseguem bons empregos, mas a maioria não. A esta restam as opções de voltar ou de lá permanecer marginalizada.

Emprego: o problema é seu
[...] todos os assalariados de uma empresa, não importa qual seja o seu nível hierárquico, não sabem nunca se serão mantidos ou não no emprego, porque não é a riqueza econômica da empresa que vai impedir que exista redução de efetivo. Vou dar o exemplo [...] da Peugeot e da Citroen (GrupoPSA), que conheço bem, na França. É uma empresa que está funcionando muito bem. Ela passa seu tempo a despedir as pessoas de maneira regular. Isso é perversão, mas a perversão está ligada à psicologização. O que quero dizer com isso? Poderão permanecer na empresa apenas aqueles que são considerados de excelente performance. [...] Isso é psicologização, na medida em que, se alguém não consegue conservar o seu trabalho, fala-se tranquilamente: "mas é sua culpa, você não soube se adaptar, você não soube fazer esforços necessários, você não teve uma alma de vencedor, você não é um herói." [...] quer dizer: "você é culpado e não a organização da empresa ou da sociedade. A culpa é só sua." Isso culpabiliza as pessoas de modo quase total, pessoas que, além disso, ficam submetidas ao devotamento, lealdade e fidelidade, mas ela não dá nada em troca. Ela vai dizer simplesmente: você tem a chance de continuar, mas talvez você não permaneça".

Questões:
1) Qual é a principal relação entre os dois textos?
2) O emprego é uma questão pessoal, social ou ambas? Justifique.

Fonte: Dez Lições de Sociologia para um Brasil Cidadão. Gilberto Dimenstein et all.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Uma profissão para chamar de sua


Com as mudanças na sociedade, o mercado passa a exigir novas funções e ocupações. Você pode se aproveitar dessa brecha para fazer o trabalho que sempre quis. (Quadrinhos: João Montanaro)


Giorgio Servius acaba de matar mais um zumbi, a pauladas. O sangue respinga em seu rosto, enquanto ele sinaliza para um colega. A perseguição aumenta, ele mata mais alguns. De repente, ele para. Hora da pausa para o café. Parece coisa de filme, mas é apenas uma terça-feira comum na vida de Giorgio, que é especialista em tecnologia da informação e tem como uma de suas funções testar games em 3D. O sangue, o zumbi, as armas são de mentira, mas parecem reais, projetadas em três dimensões em uma sala com telão de 3 x 4 metros.
Assim como Giorgio, muitas pessoas hoje têm profissões novas, diferentes, que não existiam anos atrás. Isso, em si, não é novidade: sempre que as sociedades mudam, o mundo do trabalho se reinventa, e surgem novas funções. Foi assim quando se criaram novas tecnologias, como a locomotiva a vapor, a prensa móvel e o telefone, por exemplo. A diferença, agora, é que isso acontece numa velocidade muito maior. "As novas profissões surgem para atender a demandas do mundo de hoje", diz a psicóloga Sandra Felicidade, de Campinas (SP). "Há uma série de mudanças de paradigma e as profissões mais tradicionais não dão mais conta, sozinhas, das necessidades deste novo mundo", diz. Algumas pessoas aproveitam essas brechas de mercado para fazer aquilo de que mais gostam.
Esse foi o caso de Carollina Lauriano, que trabalha com inteligência de moda. "Sou jornalista, mas sempre gostei muito de moda e sempre trabalhei com publicidade. Entrei na agência onde trabalho como redatora, como uma forma de estar dentro para poder mostrar meu potencial como analista de mercado", conta. Hoje ela faz análise de mercado e estratégia para empresas no ramo da moda e sua função foi batizada de "inteligência de moda".
Já Julia Janczur, que por sua vez cursou moda, encontrou um caminho profissional que a agradava na consultoria de imagem. "As pessoas confundem o que faço com personal stylist, que era um trabalho que não me agradava tanto. Trata-se de ensinar as pessoas a usar as tendências da moda. Na consultoria de imagem eu não tenho regras totalitárias sobre o que usar ou como usar, nem tenho que seguir as últimas tendências se não for o perfil do cliente. É mais personalizado", diz. Ou seja: os trabalhos de personal stylist e de produção de moda, que também são recentes, já ganharam um novo nicho, mais específico e adequado para o perfil de Julia.
Algumas pessoas não chegam a inventar uma profissão nova, mas descobrem que algo que elas já fazem se encaixa perfeitamente em uma função recém-criada. É o caso de Julia e também de Vitor Massao, que sempre alternou seu tempo entre o trabalho com ONGs e movimentos sociais de juventude com serviços de design prestados muitas vezes a esses grupos. Foi então que conheceu a facilitação gráfica e descobriu uma nova possibilidade profissional. "Vi que aquilo que eu já fazia em minhas próprias anotações, em meus cadernos, durante debates, discussões e processos participativos de movimentos sociais, poderia ajudar os demais a visualizar o andamento da discussão e organizar suas ideias", diz. "Fiz um curso e passei a oferecer também esse tipo de serviço."
A criação de novos nichos é uma estratégia cada vez mais reconhecida no mundo corporativo, como conta a psicóloga Sandra Felicidade. "Existe hoje uma mudança na mentalidade, que questiona a antiga lógica da concorrência. Grandes empresas como o Google conseguiram se firmar, por exemplo, sem disputar mercado com concorrentes, criando um novo nicho. Esta é uma estratégia muito usada: inovar, fazer o novo - e dominar aquele nicho que se criou", diz.
O que você faz?
Nesse mundo das novas profissões, porém, nem tudo são flores. Uma das partes mais difíceis é justamente o reconhecimento da sociedade em relação à nova profissão. Em outras palavras: como convencer o mundo de que seu trabalho é específico e só pode ser executado por você ou pessoas como você?
"A criação de uma nova profissão está ligada à ideia de monopólio de uma certa atividade ou técnica", diz a socióloga Maria Ligia de Oliveira Barbosa, da UFRJ. "Nem toda ocupação é uma profissão; o conceito de profissão sugere algo mais especializado, que justamente não pode ser feito por qualquer pessoa sem uma formação prévia, ainda que essa formação nem sempre seja escolar", diz ela. Segundo a socióloga, o reconhecimento dos colegas e o senso de "classe profissional" também têm um papel fundamental nesse processo.
No caso de Vitor, a batalha do reconhecimento tem sido travada coletivamente, o que facilita um pouco o processo. "Estamos começando a organizar fóruns e eventos onde nós, facilitadores gráficos, podemos trocar informações e experiências e discutir nosso trabalho. Isso dá um senso de coletividade maior e ajuda a sermos reconhecidos também", diz. O contato com outros profissionais da área é uma boa solução para o impasse de encontrar clientela, com troca de experiências, de redes de contato e estratégias de trabalho.
Além disso, é claro, uma boa divulgação do seu trabalho também não faz mal. Para profissionais em atividades "novas", vale mais do que a pena investir num bom website que, além do portfólio, pode conter textos informativos sobre o tipo de trabalho desenvolvido, seus princípios profissionais e as vantagens dos clientes em investir naquele tipo de serviço ou produto.
Mesmo com todas estratégias, porém, nem sempre o dinheiro entra como esperado. A instabilidade financeira é outro desafio que os profissionais de funções recém-criadas enfrentam. Julia conta com a ajuda de seus pais quando precisa e Vitor, que já tinha bastante experiência como freelancer, guardou um dinheiro para poder se assegurar enquanto o retorno financeiro de sua nova atividade não era suficientemente estável. Se você planeja mudar de área ou explorar um novo nicho, o ideal é se planejar para os momentos de vacas magras.
Essa falta de reconhecimento tem seu lado cômico: tentar explicar, para os outros, o que você faz. Se você tem uma profissão conhecida, como médico, advogado, jornalista, é fácil. Mas, quando saímos do esquema tradicional, a coisa fica mais complicada. Como explicar para a avó que mal usa e-mails o que faz um analista de redes sociais? A sensação é de que, para as outras pessoas, você não trabalha de verdade. Quem está acostumado a ver "rotina de trabalho" como ficar das 9h às 18h num escritório muitas vezes não é capaz de ver que o "passeio no shopping" que Julia faz com uma cliente, na verdade, não tem nada de "passeio" ; ou que ficar testando videogames e explorando ambientes em 3D a tarde toda, de óculos e luvas, é parte essencial do trabalho de Giorgio. Quando alguém não levar seu trabalho a sério, não adianta ficar bravo: é hora de ter paciência e, principalmente, bom humor. Encare a situação com leveza.
"É um passo ousado, mas muito recompensador", diz Vitor. A maior satisfação - que, segundo ele, compensa as dificuldades enfrentadas - é ganhar a vida fazendo algo de que se gosta, em vez de se forçar a entrar num esquema profissional e num mercado de trabalho que nem sempre combinam conosco.

João Montanaro é ilustrador e quadrinhista. Aos 17 anos, ainda está decidindo para qual profissão vai prestar vestibular. 



Por Marília Moschkovich é socióloga e professora. Decidiu se aventurar no jornalismo como forma de testar outras possibilidades profissionais.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Quer fazer o que ama? Esqueça os rótulos!*

Quem você acha que mais ama o que faz,um médico ou um motorista de ônibus?
 
Para a maioria das pessoas é muito mais fácil associar a ideia de fazer o que se ama com profissões “cool” ou cheias de prestígio,  com trabalhos de cunho intelectual e que pagam muito bem do que com aqueles que não são reconhecidos por esse fatores.
O trabalho de um médico é salvar vidas, poucas profissões tem um propósito tão nobre quanto esse, certo? Já um motorista de ônibus fica o dia todo dirigindo por caminhos repetidos,  executando um trabalho essencialmente mecânico e sem grande propósito para humanidade.
Eis aí a armadilha de quem quer fazer o que ama: o julgamento raso. Eu não poderia definir se um pessoa ama o que faz sem antes saber COMO essa pessoa faz o que faz e qual o significado daquele trabalho para aquela pessoa em especial. Por causa desses rótulos tem muita gente hoje infeliz com o trabalho pois na busca por profissões “superiores” ou apreciadas pela maioria, acabam fazendo o que não gostam.
Às vezes é preciso muita coragem para buscar e assumir o trabalho que tem a ver com a gente. Um exemplo disso é um amigo meu chamado Leonardo que foi meu veterano na faculdade. Nós cursamos Ciências Biológicas na Esalq (USP de Piracicaba) juntos. Durante a faculdade ele focou sua pesquisa principalmente no campo da herpetologia,  que é o estudo dos répteis e anfíbios, participou de congressos, fez iniciação científica, 2 anos de mestrado e muitas outras coisas relacionadas ao assunto. Trabalhou duro durante 7 anos na universidade e depois que se formou sabe o que ele foi fazer?
 Virou motorista de ônibus. Olha só o figura:
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E não virou motorista porque não havia oportunidades dentro da Biologia, mas sim porque ônibus sempre foi uma de suas maiores paixões. Hoje ele trabalha na Viação Paraty, onde além de dirigir também é responsável por coordenar as escalas e fiscalizar o andamento das linhas.
Pode ter gente que olha e acha estranho, “puxa mas o cara fez USP para virar motorista?”
E daí!!!!?
O cara está feliz vivendo diariamente em contato com a sua paixão, quem dera se todos os motoristas de ônibus fizessem seu trabalho da forma como ele faz. Olha só um dos depoimentos que ele fez no Facebook:
 
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 Você percebe o significado que ele dá para a sua profissão?
 “…nós que transportamos a carga mais valiosa que existe a VIDA”.
 Por outro lado, tem um montão de pessoas em profissões mais “glamourosas” que não colocam nem metade da alma e coração que Leonardo coloca no trabalho. Ou seja, trabalham com algo considerado “glamouroso” pelo mainstream, mas com o qual não se identificam em nada, o que faz com que seja muito difícil se realizarem no trabalho.
Esses exemplos me levam a pensar que qualquer pessoa pode trabalhar no que gosta, mas que tudo depende da forma como ela enxerga e dá significado à sua própria profissão e à forma como ela se relaciona com o trabalho, de uma forma geral: qual significado o trabalho tem na vida de cada um?
Isso na verdade já foi objeto de estudo e é retratado no livro Felicidade Autêntica, escrito por Martin Seligman, fundador da Psicologia Positiva. Nele Martin diz:
“qualquer tarefa pode tornar-se uma vocação, e qualquer vocação pode tornar-se uma tarefa. Um médico que veja seu trabalho como uma tarefa a cumprir e esteja interessado simplesmente em ganhar dinheiro não tem vocação; um coletor de lixo que veja seu trabalho como a missão de fazer o mundo mais limpo e mais saudável para se viver tem vocação”
Os responsáveis por essa descoberta foram a professora da Universidade de Nova York,  Amy Wrzesniewski e seus colegas. Eles estudaram 28 serventes de hospital cujas tarefas eram basicamente limpar quartos de um hospital. No estudo, notaram que os serventes que veem o trabalho como vocação fazem de tudo para torná-lo significativo. Eles se consideram importantes para o processo de cura, e se organizam de modo a conseguir o máximo de eficiência. Antecipam-se às necessidades de médicos e enfermeiros, para que estes tenham mais tempo de se dedicarem ao tratamento propriamente dito. Chegam a fazer mais do que seria sua obrigação, tentando alegrar a vida dos pacientes. Os serventes sem vocação viam seus trabalhos como uma simples limpeza de quartos.
 De acordo com esses estudos existem três formas de enxergarmos nosso trabalho:
carol-nat

Tarefa – é quando você faz um trabalho simplesmente em troca do pagamento no final do mês, sem procurar outras recompensas. É apenas um meio a serviço de um fim, como por exemplo, sustentar sua família. Se não há pagamento você se afasta.
Carreira - é quando você vincula seu trabalho a um investimento pessoal mais profundo. Suas realizações são marcadas pelo dinheiro, mas também pelo progresso profissional. Cada promoção traz mais prestígio e poder, além do aumento de salario.
Vocação - é quando você tem um compromisso apaixonado pelo trabalho. Pessoas que sentem que têm uma vocação veem seu trabalho como uma contribuição para o bem maior, para algo além delas. O próprio trabalho é fator de realização e continua sendo, ainda que não haja grandes quantias de dinheiro ou promoções envolvidas.
Dan Ariely também fez alguns experimentos interessantes relacionados a felicidade no trabalho, e mais uma vez o sentimento de significado apareceu como algo fundamental para nos sentirmos importantes e felizes com nossas profissão.
[...]
Toda atividade no mundo tem um propósito, fazer o que se ama é uma questão de entender como os seus principais propósitos, suas forças e sua disposição em aprender com suas experiências se alinham com as suas atividades profissionais. Não precisa necessariamente ser de bermuda, fazendo um trabalho cool, em um ambiente moderninho. Também não estamos falando aqui de brilhantismo: fazer o que se ama tem muito mais a ver com disposição em aprender e em muitas horas de dedicação do que com já ser brilhante em algo (raramente nascemos brilhantes em uma área de conhecimento sem nunca ter nos dedicado a ela). Nem precisa “largar tudo”. Talvez, “largar todos” (os padrões e rótulos alheios) e assumir que vai se dedicar à própria vocação.

*Escrito por Carolina Nalon, com colaboração de Natália Menhem.
Publicado originalmente e na íntegra em https://blog.99jobs.com/quer-fazer-o-que-ama-esqueca-os-rotulos/#_ftn1

segunda-feira, 3 de março de 2014

Jovens

"O que é ser jovem?" Essa já é uma pergunta difícil... E se eu perguntar o que é ser jovem HOJE? Complica mais, né? rs
Olha aqui um jeito fácil, fácil de compreender você, seus pais e até seus avós 





terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Perdid@?!

Anda perdi@? Não sabe para onde ir? Olha que legal encontrei com o pessoal do 99jobs, que, aliás, são ÓTIMOS para dicas de como trabalhar com o que se ama.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Movimento Feminista



Dentre tantas lutas, o movimento feminista se destacou pela perseverança na luta pela igualdade de direitos. À primeira vista, parece-nos que as mulheres estavam marcadas pelo imobilismo e pela invisibilidade social. Autossacrifício, submissão, obediência são estereótipos enganosos que ignoram o verdadeiro papel da mulher na sociedade brasileira. A visão patriarcal reforçava os papéis antagônicos de homens e mulheres: cabia aos primeiros desbravar os sertões, conquistar riquezas, prover o lar, e a elas restaria a tarefa de multiplicar a prol.
No século XIX, surgiram as primeiras organizações de mulheres que se engajaram na luta pelo direito à instrução e ao voto. No Rio Grande do Norte, Nísia Floresta (1809-1885), abolicionista e republicana, combatia a ignorância das mulheres e a dependência feminina em relação aos homens. Já no início da República, com o crescimento do comércio e da indústria, a mão-de-obra feminina se incorporou à produção social, possibilitando o surgimento dos movimentos de libertação.
Em 1932, como resultado de uma luta histórica, o voto feminino foi incluído no Código Eleitoral. Desde então, as mulheres têm ampliado sua participação política e tornaram-se agentes transformadores da própria História.
Atualmente, apesar de tantas conquistas, os meios de comunicação insistem em promover uma imagem extremamente negativa do universo feminino, ligando a mulher a futilidades, modismos e ideais de beleza duvidosos.





8 de março, Dia Internacional da Mulher

Os movimentos sindicais, típicos das sociedades industriais, lutaram durante todo o século XIX e início do século XX pela redução da jornada de trabalho, mobilizando milhões de trabalhadores. Integrando-se a essa luta, 129 mulheres tecelãs da Fábrica de Tecidos Cotton, em Nova York, paralisaram os trabalhos exigindo uma jornada de trabalho de 10 horas diárias, na primeira greve norte-americana conduzida unicamente por mulheres. Violentamente reprimidas pela polícia, as operárias refugiaram-se num dos galpões da fábrica. No dia 8 de março de 1857, os patrões e a polícia trancaram as portas do galpão e atearam fogo nele. As tecelãs morreram asfixiadas.
Durante a II Conferência Internacional de Mulheres, realizada em 1910, na Dinamarca, a famosa ativista pelos direitos femininos Clara Zetkin propôs que o 8 de março fosse declarado Dia Internacional da Mulher, homenageando as tecelãs de Nova York. Em 1911, mais de um milhão de mulheres se manifestaram na Europa. A partir daí, essa data começou a ser comemorada no mundo inteiro, sendo reconhecida pela Organização das Nações Unidas - ONU em 1975.
Fonte: Dimenstein, Gilberto et. all. Dez Lições de Sociologia, pág.266-268

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Trabalho e Movimentos Sociais

1) Trabalhador rural, autoria desconhecida, 2010
2) Caipira picando fumo, J. F. de Almeida Júnior, 1893

4) Escravo de ganho, Jean-Baptiste Debret, 1834-1839


3) Cabano paraense, Alfredo Norfini, 1940


1) Descreva cada um dos homens retratados, discorrendo sobre suas características físicas e possíveis características psicológicas, com base em elementos presentes nas imagens.
2) É correto afirmar que os homens retratados são da mesma região do país? Justifique sua resposta formulando hipóteses para a origem de cada um deles.
3) Compare as quatro imagens: 
    a) Embora tenham sido produzidas por autores diferentes e em épocas diferentes, pode-se dizer que elas têm alguma preocupação em comum? Qual?
    b) Como cada artista retratou o homem brasileiro? Elenque semelhanças e diferenças entre as quatro representações.
4) Os movimentos sociais pressupõem "os sujeitos históricos como protagonistas da transformação social". Nesse sentido, em qual das representações acima do povo brasileiro você identifica maior possibilidade de mobilização? E em quais imagens o conformismo é expressado de maneira mais evidente? Justifique.
5) Se você fosse representar um trabalhador brasileiro como ele seria (represente com pintura, desenho, vídeo ou fotografia)? Cite as características físicas e psicológicas do seu personagem.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

O que é trabalho escravo?

Escravidão contemporânea é o trabalho degradante que envolve cerceamento da liberdade.

A assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, representou o fim do direito de propriedade de uma pessoa sobre a outra, acabando com a possibilidade de possuir legalmente um escravo no Brasil. No entanto, persistiram situações que mantêm o trabalhador sem possibilidade de se desligar de seus patrões. Há fazendeiros que, para realizar derrubadas de matas nativas para formação de pastos, produzir carvão para a indústria siderúrgica, preparar o solo para plantio de sementes, entre outras atividades agropecuárias, contratam mão-de-obra utilizando os contratadores de empreitada, os chamados "gatos". Eles aliciam os trabalhadores, servindo de fachada para que os fazendeiros não sejam responsabilizados pelo crime.

Esses gatos recrutam pessoas em regiões distantes do local da prestação de serviços ou em pensões localizadas nas cidades próximas. Na primeira abordagem, mostram-se agradáveis, portadores de boas oportunidades de trabalho. Oferecem serviço em fazendas, com garantia de salário, alojamento e comida. Para seduzir o trabalhador, oferecem "adiantamentos" para a família e garantia de transporte gratuito até o local de trabalho.

O transporte é realizado por ônibus em péssimas condições de conservação ou por caminhões improvisados sem qualquer segurança. Ao chegarem ao local do serviço, são surpreendidos com situações completamente diferentes das prometidas. Para começar, o gato lhes informa que já estão devendo. O adiantamento, o transporte e as despesas com alimentação na viagem já foram anotados em um "caderno" de dívidas que ficará em posse do gato. Além disso, o trabalhador percebe que o custo de todos os instrumentos que precisar para o trabalho - foices, facões, motosserras, entre outros - também será anotado no caderno de dívidas, bem como botas, luvas, chapéus e roupas. Finalmente, despesas com os improvisados alojamentos e com a precária alimentação serão anotados, tudo a preço muito acima dos praticados no comércio.

Convém lembrar que as fazendas estão distantes dos locais de comércio mais próximos (o trabalhador é levado para longe de seu local de origem e, portanto, da rede social na qual está incluído. Dessa forma, fica em um estado de permanente fragilidade, sendo dominado com maior facilidade), sendo impossível ao trabalhador não se submeter totalmente a esse sistema de "barracão", imposto pelo gato a mando do fazendeiro ou diretamente pelo fazendeiro.

Se o trabalhador pensar em ir embora, será impedido sob a alegação de que está endividado e de que não poderá sair enquanto não pagar o que deve. Muitas vezes, aqueles que reclamam das condições ou tentam fugir são vítimas de surras. No limite, podem perder a vida.

Condições de trabalho

A Convenção nº 29 da OIT de 1930, define sob o caráter de lei internacional o trabalho forçado como "todo trabalho ou serviço exigido de uma pessoa sob a ameaça de sanção e para o qual não se tenha oferecido espontaneamente". A mesma Convenção nº 29 proíbe o trabalho forçado em geral, incluindo, mas não se limitando, à escravidão. A escravidão é uma forma de trabalho forçado. Constitui-se no absoluto controle de uma pessoa sobre a outra, ou de um grupo de pessoas sobre outro grupo social.

Trabalho escravo se configura pelo trabalho degradante aliado ao cerceamento da liberdade. Este segundo fator nem sempre é visível, uma vez que não mais se utilizam correntes para prender o homem à terra, mas sim ameaças físicas, terror psicológico ou mesmo as grandes distâncias que separam a propriedade da cidade mais próxima.

Alimentação

Os próprios peões usam o termo "cativo" para designar o contrato em que um trabalhador tem descontado o valor da comida de sua remuneração. O dever de honrar essa dívida de natureza fraudulenta com o "gato" ou o dono da fazenda é uma das maneiras de se escravizar uma pessoa no Brasil. Ao passo que o contrato em que o trabalhador recebe a comida sem desconto na remuneração é chamado de "livre".

A comida resume-se a feijão e arroz. A "mistura" (carne) raramente é fornecida pelos patrões. Em uma fazenda em Goianésia, Pará, as pessoas libertadas em novembro de 2003 eram obrigadas a caçar tatu, paca ou macaco se quisessem carne.

Maus tratos e violência

"Sempre que vejo um trabalhador cego ou mutilado pergunto quanto o patrão lhe pagou pelo dano e eles têm respondido assim: 'um olho perdido - R$ 60,00. Uma mão perdida - R$100,00'. E assim por diante. Estranho é que o corpo com partes perdidas tem preço, mas se a perda for total não vale nada", afirma um integrante da equipe de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego.