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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Avaliação Segundo Ano/ Segundo Bimestre

Você certamente já ouviu falar muito em "trabalho". Ao longo das aulas, você pôde conhecer a abordagem sociológica para esse conceito. Ela não é a única. Compare as seguintes definições de "trabalho", dadas por três diferentes disciplinas:

Sociologia/ Ciências Sociais
O trabalho é uma relação social produtiva submetida às exigências técnicas e materiais da produção. Portanto, o trabalho deve ser explicado no âmbito das especificidades de uma dada sociedade. Para Marx, por exemplo, o trabalho assalariado objetivado é o trabalho da época capitalista.
Fonte: SPURK, Jan. A noção de trabalho em Karl Marx. In: MERCURE, Daniel; SPURK, Jan (Org.). O trabalho na história do pensamento ocidental. Petrópolis: Vozes, 2005.


Filosofia
Para o filósofo alemão Jürgen Habermas, o trabalho é uma ação racional com respeito a fins, por meio da qual homens e mulheres se apropriam da natureza em busca da sobrevivência e interagem comunicativamente entre si.
Fonte: HABERMAS, Jürgen. Técnica e ciência enquanto tecnologia. In: Textos escolhidos. v. XLVIII. São Paulo: Abril Cultural, 1975. p. 310-311. (Os Pensadores)


Física
Realizar trabalho em Física implica a transferência de energia de um sistema para outro e, para que isso ocorra, são necessários uma força e um deslocamento adequados.
Fonte: DOCA, Ricardo Helou; BISCUOLA, Gualter José; VILLAS BÔAS, Newton. Física. São Paulo: Moderna, 2010.

Utilizando sua criatividade, escolha um dos projetos a seguir para realizar, individualmente ou em grupo:
  1. escrever um poema (individual/ postagem Facebook, email ou papel);
  2. escrever uma paródia de uma música famosa (individual ou em dupla/ postagem Facebook, email ou papel);
  3. compor uma música e sua letra (individual ou em dupla/ postagem no Sound Cloud ou Facebook);
  4. fazer um vídeo curta-metragem de um minuto (até 4 componentes/ postagem no Facebook);
  5. elaborar, escrever o roteiro e gravar um programa de rádio (até 4 componentes/ postagem no Sound Cloud ou Facebook);
  6. fazer uma obra de artes visuais - pintura, desenho, instalação (individual/ postagem em rede social ou entrega física);
  7. elaborar uma história em quadrinhos, charge ou tira (individual ou em dupla/ postagem Facebook, email ou papel);
  8. tirar fotografias, relacioná-las e realizar uma exposição virtual (até 4 componentes/álbum compartilhado no Facebook em modo público).
O seu projeto deve estaelecer uma comparaçao ou relação entre as três definições apresentadas anteriormente.
Caso tenha outra ideia de projeto artístico-lúdico para trabalhar o tema, converse com o professor sobre a possibilidade de realizá-la.

Atividade retirada do livro Sociologia - Ensino Médio, Editora Scipione. Autores: ARAÚJO, Silvia Maria; BRIDI, Maria Aparecida; MOTIM, Benilde Lenzi.
 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Ciência da sociedade

Leia o texto abaixo:

Mas o que é uma atitude científica em Sociologia? É a atitude de, a partir da constatação de um problema social, observar os fatos e a realidade dos indivíduos e grupos, suas relações, formular uma hipótese de explicação e, ao final, pronunciar leis ou tendências de que um fato ocorre por motivos tais e tais.

Vamos descrever um exemplo: temos um problema social que se chama desemprego (é social porque atinge vários indivíduos). A partir dessa constatação, poderíamos formular a hipótese de que a política econômica de um governo promove o desemprego. Em seguida, passamos a observar a realidade com dados estatísticos em mãos, pesquisas com desempregados para ver os motivos que levaram ao desemprego. Ao final, retornamos a nossa hipótese e podemos verificar que a política macroeconômica tende a provocar desemprego em massa num país (...) 

OLIVEIRA, Luiz Fernando e COSTA, Ricardo Cesar Rocha. Sociologia para jovens do século XXI. Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2007. Página 26. 

1) Quais diferenças entre um conhecimento do senso comum e um conhecimento sociológico você pode destacar?

2) Dê exemplos sobre preconceitos sociais que você conhece que são baseados no senso comum (mínimo de 3).

3) Como você poderia usar o conhecimento sociológico para desconstruir esses exemplos de preconceito?

 

segunda-feira, 3 de março de 2014

Jovens

"O que é ser jovem?" Essa já é uma pergunta difícil... E se eu perguntar o que é ser jovem HOJE? Complica mais, né? rs
Olha aqui um jeito fácil, fácil de compreender você, seus pais e até seus avós 





quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Conhecimento científico x Senso comum

Algumas características:

Particular/ geral
Do senso comum resulta um conhecimento particular, restrito a uma pequena amostra da realidade, a partir da qual são feitas generalizações muitas vezes apressadas e imprecisas. Os dados observados costumam ser selecionados de maneira não muito rigorosa. Em outras palavras, conclui-se para todos os objetos o que vale para um ou para um grupo de objetos observados.
Já as conclusões da ciência são gerais no sentido de que não valem apenas para os casos observados, e sim para todos os que a eles se assemelhem. Afirmações como "o peso de qualquer objeto depende do campo de gravitação" ou "a cor de um objeto depende da luz que ele reflete" ou ainda "a água é uma substância composta de hidrogênio e oxigênio" são válidas para todos os corpos, todos os objetos coloridos ou qualquer porção de água, e não apenas para aqueles que foram objeto da experiência.
A diferença entre elas deve-se ao fato de que as afirmações do senso comum são assistemáticas, enquanto as explicações da ciência são sistemáticas e controláveis pela experiência, o que permite chegar a conclusões gerais. Se o saber comum observa um fato a partir do conjunto dos dados sensíveis que formam nossa percepção imediata, pessoal e efêmera do mundo, o fato científico é um fato abstrato, isolado do conjunto em que se encontra normalmente inserido e elevado a um grau de generalidade.


Fragmentário/ unificador
Em comparação com a ciência, o conhecimento espontâneo é fragmentário, pois não estabelece conexões em situações em que essas poderiam ser verificadas. Por exemplo: pelo senso comum não é possível perceber qualquer relação entre o orvalho da noite e o "suor" que aparece na garrafa retirada da geladeira; nem entre a combustão e a respiração (que é uma forma de combustão discreta relacionada à queima dos alimentos no processo digestivo para obter energia). Se dermos crédito à velha história, é interessante lembrar as circunstâncias em que Isaac Newton teria intuído a lei da gravitação universal. Ao associar a queda de uma maçã à "queda" da Lua. Aliás, o caráter unificador dessa teoria nos permite associar fenômenos aparentemente tão díspares como o movimento da Lua, as marés, as trajetórias dos projéteis e a subida dos líquidos nos tubos delgados.

Subjetivo/ objetivo
O senso comum é frequentemente subjetivo, porque depende do ponto de vista individual e pessoal, não fundado no objeto, e condicionado por sentimentos ou afirmações arbitrárias do sujeito. se temos antipatia por alguém, é preciso certo esforço para reconhecer, por exemplo, seu valor profissional. Ao observar o comportamento de povo com costumes diferentes dos nossos, tendemos a julgá-los baseados em nossos valores e considera-los estranhos, ignorantes, engraçados ou até desprezíveis.
O mundo construído pela ciência aspira à objetividade. É objetivo o conhecimento imparcial, que independe das preferências individuais e que resulta da descentralização do sujeito que conhece, pelo confronto com outros pontos de vista. No caso das ciências, as conclusões podem ser testadas por qualquer outro membro competente da comunidade científica.

Ambiguidade/ rigor
Para ser precisa e objetiva, a ciência dispõe de uma linguagem rigorosa cujos conceitos são definidos para evitar ambiguidades. A linguagem tona-se cada vez mais precisa, à medida que utiliza a matemática para transformar qualidades em quantidades. A matematização da ciência adquiriu grande importância no trabalho de Galileu. Ao estabelecer a lei da queda dos corpos, po exemplo, Galileu mediu o espaço percorrido e o tempo que um corpo leva para descer o plano inclinado, e ao final das observações registrou a lei numa formulação matemática.
É bem verdade que o mesmo não ocorre com as ciências humanas, cujo componente qualitativo não pode ser reduzido à quantidade. Algumas delas, como é o caso da psicanálise, não fazem uso da matemática ou da experimentação, embora outras teorias psicológicas, como as comportamentalistas, recorram não só às experiências em laboratório como à matemática e à estatística.


Fonte: Filosofando - Introdução à Filosofia. Maria Lúcia de Arruda Aranha, Maria Helena Pires Martins.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Mulheres e movimentos sociais - Atividade

Leia, a seguir, o documento 1 e observe a imagem exposta no documento 23 para responder ao roteiro de questões:

Documento 1
O AEROPLANO COMO VEÍCULO DE PROPAGANDA*
Folha da Manhã, sábado, 12 de maio de 1928.

RIO, 12 - O feminismo continua sua propaganda.
Hoje, a cidade assistiu a um interessante e inedito acontecimento. Distinctas senhoras, que fazem parte proeminente da diretoria da "Federação Brasileira pelo Progresso Feminino", voaram sobre a ciade em aeroplano, distribuindo cartões postaes e manifestos de propaganda do voto feminino.
Foram as sras. Bertha Lutz, sua brilhante presidente, d. Maria Amalia Bastos, primeira secretaria, e dra. Carmen Velloso Portinho, thesoureira.
Um dos postaes tinha os seguintes dizeres:
"As mulheres já podem votar em trinta paizes e um Estado brasileiro, por que não hão de votar em todo o Brasil?"
[...]
As feministas deixaram ainda cahir o seguinte appello à imprensa:
"A Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, orgam do movimento feminista no Brasil, faz um appello á imprensa carioca, sempre generosa na defesa das causas nobres, solicitando que dê o seu apoio á campanha em pról dos direitos politicos da mulher".

*Mantida a grafia original
Almanaque Folha de São Paulo. Disponível em: <http://almanaque.folha.uol.com.br/brasil_12mai1928.htm>. Acesso em: 25/7/2007.

Documento 2




Questões:

  1. Em relação ao documento 1:
    • Com base na leitura da reportagem de 1928, identifique as principais reivindicações do movimento feminista no episódio relatado.
    • Sobre a tática de ação das feministas utilizada no episódio, pode-se dizer que ela foi eficiente para divulgar as ideias do movimento? Por quê?
    • Pode-se afirmar que as reivindicações feministas de 1928 obtiveram sucesso? Justifique sua resposta.
  2. Observe atentamente as imagens que compõem o documento 2:
    • Quais são as principais reivindicações ligadas ao movimento feminista atualmente?
    • Você considera que essas reivindicações estão sendo discutidas pela sociedade? Em que situações?
    • É correto afirmar que as reivindicações atuais do movimento feministas são acatadas pela sociedade? Por quê?
  3. Comparando o contexto da década de 1920 e a situação das mulheres hoje:
    • Quais foram as principais conquistas obtidas pelo movimento feminista nas últimas décadas, na sua opinião?
    • Considerando que os movimentos sociais têm como finalidade produzir a transformação social, é correto afirmar que o movimento feminista foi bem-sucedido em seus objetivos ao longo do século XX? Justifique.
  4. Aponte cinco situações na sua vida hoje que não seriam possíveis sem as conquistas alcançadas pelo movimento de mulheres (seja você homem ou mulher).
  5. Em que situações cotidianas a igualdade entre os sexos ainda não foi alcançada? Justifique com exemplos retirados da mídia ou vivenciados no seu dia-a-dia.
Se você acha que feminista tá sempre de cara pintada e faixa na mão, clique aqui!

Adaptado de Dimenstein, Gilberto et. all. Dez Lições de Sociologia, pág.269, 270

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Movimento Feminista



Dentre tantas lutas, o movimento feminista se destacou pela perseverança na luta pela igualdade de direitos. À primeira vista, parece-nos que as mulheres estavam marcadas pelo imobilismo e pela invisibilidade social. Autossacrifício, submissão, obediência são estereótipos enganosos que ignoram o verdadeiro papel da mulher na sociedade brasileira. A visão patriarcal reforçava os papéis antagônicos de homens e mulheres: cabia aos primeiros desbravar os sertões, conquistar riquezas, prover o lar, e a elas restaria a tarefa de multiplicar a prol.
No século XIX, surgiram as primeiras organizações de mulheres que se engajaram na luta pelo direito à instrução e ao voto. No Rio Grande do Norte, Nísia Floresta (1809-1885), abolicionista e republicana, combatia a ignorância das mulheres e a dependência feminina em relação aos homens. Já no início da República, com o crescimento do comércio e da indústria, a mão-de-obra feminina se incorporou à produção social, possibilitando o surgimento dos movimentos de libertação.
Em 1932, como resultado de uma luta histórica, o voto feminino foi incluído no Código Eleitoral. Desde então, as mulheres têm ampliado sua participação política e tornaram-se agentes transformadores da própria História.
Atualmente, apesar de tantas conquistas, os meios de comunicação insistem em promover uma imagem extremamente negativa do universo feminino, ligando a mulher a futilidades, modismos e ideais de beleza duvidosos.





8 de março, Dia Internacional da Mulher

Os movimentos sindicais, típicos das sociedades industriais, lutaram durante todo o século XIX e início do século XX pela redução da jornada de trabalho, mobilizando milhões de trabalhadores. Integrando-se a essa luta, 129 mulheres tecelãs da Fábrica de Tecidos Cotton, em Nova York, paralisaram os trabalhos exigindo uma jornada de trabalho de 10 horas diárias, na primeira greve norte-americana conduzida unicamente por mulheres. Violentamente reprimidas pela polícia, as operárias refugiaram-se num dos galpões da fábrica. No dia 8 de março de 1857, os patrões e a polícia trancaram as portas do galpão e atearam fogo nele. As tecelãs morreram asfixiadas.
Durante a II Conferência Internacional de Mulheres, realizada em 1910, na Dinamarca, a famosa ativista pelos direitos femininos Clara Zetkin propôs que o 8 de março fosse declarado Dia Internacional da Mulher, homenageando as tecelãs de Nova York. Em 1911, mais de um milhão de mulheres se manifestaram na Europa. A partir daí, essa data começou a ser comemorada no mundo inteiro, sendo reconhecida pela Organização das Nações Unidas - ONU em 1975.
Fonte: Dimenstein, Gilberto et. all. Dez Lições de Sociologia, pág.266-268

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O que é ação afirmativa?

O termo ação afirmativa surgiu nos Estados Unidos, na década de 1960, nos movimentos pela eliminação das leis que discriminavam a população negra. Uma dessas leis, por exemplo, obrigava os negros a ceder o lugar aos brancos no transporte público.
Para alguns militantes, entretanto, não bastava acabar com essas leis;era preciso colocar em prática certas ações para garantir o acesso da população negra à educação e ao emprego, de modo a melhorar suas condições de vida e torná-las mais igualitárias em relação às do restante da população.
Nos Estados Unidos, as políticas de ação afirmativa, tornaram-se lei, sendo adotadas pelo Estado e por grupos privados. Em universidades e empresas, por exemplo, foi estabelecida uma cota mínima de vagas a serem preenchidas pela população negra.
Na Europa, essas práticas começaram a ser adotadas em 1976, com o nome de ação ou discriminação positiva. Desde então, as políticas de ação afirmativa atingiram, além dos negros, também mulheres e minorias étnicas em diversos países, como Índia, Austrália, Nigéria, Cuba e Brasil.
No Brasil, essas políticas começaram a ser implantadas pelo Estado em 1995,com o estabelecimento de uma cota mínima de 30% de mulheres entre os candidatos de cada partido nas eleições. Em 2001, também foram estabelecidas cotas em cargos públicos e nas universidades para a população negra e indígena.

Fonte: Cardoso, Oldimar. Coleção Tudo é História - 8º Ano.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O Racismo



- Escuta aqui, ó criolo...

- O que foi?

- Você andou dizendo por aí que no Brasil existe racismo.

- E não existe?

- Isso é negrice sua. E eu que sempre te considerei um negro de alma branca... É, não adianta. Negro quando não faz na entrada...

- Mas aqui existe racismo.

- Existe nada. Vocês têm toda a liberdade, têm tudo o que gostam. Têm carnaval, têm futebol, têm melancia... E emprego é o que não falta. Lá em casa, por exemplo, estão precisando de empregada. Pra ser lixeiro, pra abrir buraco, ninguém se habilita. Agora, pra uma cachacinha e um baile estão sempre prontos. Raça de safados! E ainda se queixam!

- Eu insisto, aqui tem racismo.

- Então prova, Beiçola. Prova. Eu alguma vez te virei a cara? Naquela vez que te encontrei conversando com a minha irmã, não te pedi com toda a educação que não aparecesse mais na nossa rua? Hein, tição? Quem apanhou de toda a família foi a minha irmã. Vais dizer que nós temos preconceito contra branco?

- Não, mas...

- Eu expliquei lá em casa que você não fez por mal, que não tinha confundido a menina com alguma empregadoza de cabelo ruim, não, que foi só um engano porque negro é burro mesmo. Fui teu amigão. Isso é racismo?

- Eu sei, mas...

- Onde é que está o racismo, então? Fala, Macaco.

- É que outro dia eu quis entrar de sócio num clube e não me deixaram.

- Bom, mas pera um pouquinho. Aí também já é demais. Vocês não têm clubes de vocês? Vão querer entrar nos nossos também? Pera um pouquinho.

- Mas isso é racismo.

- Racismo coisa nenhuma! Racismo é quando a gente faz diferença entre as pessoas por causa da cor da pele, como nos Estados Unidos. É uma coisa completamente diferente. Nós estamos falando do crioléu começar a freqüentar clube de branco, assim sem mais nem menos. Nadar na mesma piscina e tudo.

- Sim, mas...

- Não senhor. Eu, por acaso, quero entrar nos clubes de vocês? Deus me livre.

- Pois é, mas...

- Não, tem paciência. Eu não faço diferença entre negro e branco, pra mim é tudo igual. Agora, eles lá e eu aqui. Quer dizer, há um limite.
- Pois então. O ...
- Você precisa aprender qual é o seu lugar, só isso.
- Mas...
- E digo mais. É por isso que não existe racismo no Brasil. Porque aqui o negro conhece o lugar dele.
- É, mas...
- E enquanto o negro conhecer o lugar dele, nunca vai haver racismo no Brasil. Está entendendo? Nunca. Aqui existe o diálogo.

- Sim, mas...

- E agora chega, você está ficando impertinente. Bate um samba aí que é isso que tu faz bem.

Luis Fernando Veríssimo

Atividade:
1) Destaque, no mínimo, 5 expressões racistas do texto e explique porque você as considerou racistas.
2) Explique a charge do texto.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

O que é trabalho escravo?

Escravidão contemporânea é o trabalho degradante que envolve cerceamento da liberdade.

A assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, representou o fim do direito de propriedade de uma pessoa sobre a outra, acabando com a possibilidade de possuir legalmente um escravo no Brasil. No entanto, persistiram situações que mantêm o trabalhador sem possibilidade de se desligar de seus patrões. Há fazendeiros que, para realizar derrubadas de matas nativas para formação de pastos, produzir carvão para a indústria siderúrgica, preparar o solo para plantio de sementes, entre outras atividades agropecuárias, contratam mão-de-obra utilizando os contratadores de empreitada, os chamados "gatos". Eles aliciam os trabalhadores, servindo de fachada para que os fazendeiros não sejam responsabilizados pelo crime.

Esses gatos recrutam pessoas em regiões distantes do local da prestação de serviços ou em pensões localizadas nas cidades próximas. Na primeira abordagem, mostram-se agradáveis, portadores de boas oportunidades de trabalho. Oferecem serviço em fazendas, com garantia de salário, alojamento e comida. Para seduzir o trabalhador, oferecem "adiantamentos" para a família e garantia de transporte gratuito até o local de trabalho.

O transporte é realizado por ônibus em péssimas condições de conservação ou por caminhões improvisados sem qualquer segurança. Ao chegarem ao local do serviço, são surpreendidos com situações completamente diferentes das prometidas. Para começar, o gato lhes informa que já estão devendo. O adiantamento, o transporte e as despesas com alimentação na viagem já foram anotados em um "caderno" de dívidas que ficará em posse do gato. Além disso, o trabalhador percebe que o custo de todos os instrumentos que precisar para o trabalho - foices, facões, motosserras, entre outros - também será anotado no caderno de dívidas, bem como botas, luvas, chapéus e roupas. Finalmente, despesas com os improvisados alojamentos e com a precária alimentação serão anotados, tudo a preço muito acima dos praticados no comércio.

Convém lembrar que as fazendas estão distantes dos locais de comércio mais próximos (o trabalhador é levado para longe de seu local de origem e, portanto, da rede social na qual está incluído. Dessa forma, fica em um estado de permanente fragilidade, sendo dominado com maior facilidade), sendo impossível ao trabalhador não se submeter totalmente a esse sistema de "barracão", imposto pelo gato a mando do fazendeiro ou diretamente pelo fazendeiro.

Se o trabalhador pensar em ir embora, será impedido sob a alegação de que está endividado e de que não poderá sair enquanto não pagar o que deve. Muitas vezes, aqueles que reclamam das condições ou tentam fugir são vítimas de surras. No limite, podem perder a vida.

Condições de trabalho

A Convenção nº 29 da OIT de 1930, define sob o caráter de lei internacional o trabalho forçado como "todo trabalho ou serviço exigido de uma pessoa sob a ameaça de sanção e para o qual não se tenha oferecido espontaneamente". A mesma Convenção nº 29 proíbe o trabalho forçado em geral, incluindo, mas não se limitando, à escravidão. A escravidão é uma forma de trabalho forçado. Constitui-se no absoluto controle de uma pessoa sobre a outra, ou de um grupo de pessoas sobre outro grupo social.

Trabalho escravo se configura pelo trabalho degradante aliado ao cerceamento da liberdade. Este segundo fator nem sempre é visível, uma vez que não mais se utilizam correntes para prender o homem à terra, mas sim ameaças físicas, terror psicológico ou mesmo as grandes distâncias que separam a propriedade da cidade mais próxima.

Alimentação

Os próprios peões usam o termo "cativo" para designar o contrato em que um trabalhador tem descontado o valor da comida de sua remuneração. O dever de honrar essa dívida de natureza fraudulenta com o "gato" ou o dono da fazenda é uma das maneiras de se escravizar uma pessoa no Brasil. Ao passo que o contrato em que o trabalhador recebe a comida sem desconto na remuneração é chamado de "livre".

A comida resume-se a feijão e arroz. A "mistura" (carne) raramente é fornecida pelos patrões. Em uma fazenda em Goianésia, Pará, as pessoas libertadas em novembro de 2003 eram obrigadas a caçar tatu, paca ou macaco se quisessem carne.

Maus tratos e violência

"Sempre que vejo um trabalhador cego ou mutilado pergunto quanto o patrão lhe pagou pelo dano e eles têm respondido assim: 'um olho perdido - R$ 60,00. Uma mão perdida - R$100,00'. E assim por diante. Estranho é que o corpo com partes perdidas tem preço, mas se a perda for total não vale nada", afirma um integrante da equipe de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego.