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sábado, 18 de abril de 2015

Uma outra visão sobre a publicidade

A publicidade tem força o suficiente de fazer as pessoas mudarem seus hábitos, e muitas vezes pra melhor. Desde sempre sabemos que uma publicidade bem feita, consegue mudar o mundo, e isso é muito importante na missão dessas campanhas atuais.
Muitas pessoas têm o costume de reclamar sobre as agências de publicidade, que estas só estão produzindo anúncios para gerar empresas de lucro, mas isso não é só para isso. Os anúncios deste post, por exemplo, mostram uma outra proposta de publicidade, com viés de conscientização social.
Confira abaixo:

#01. Vítimas também são pessoas, igual eu e você

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Advertising Agency: Advico Y&R, Zurich, Switzerland

#02. Pare com a violência, não beba e dirija.

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Advertising Agency: Terremoto Propaganda, Curitiba, Brazil

#03. A cor da sua pele não deveria decidir o seu futuro

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Advertising Agency: Publicis Conseil, Paris, France

#04. Mais devagar é melhor

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Advertising Agency: Cramer-Krasselt, Milwaukee, USA
 Tradução: 46 dias na cama do hospital

#05. Salve papel – Salve o planeta

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Advertising Agency: Saatchi & Saatchi, Copenhagen, Denmark 

#06. Poluição de ar mata 60.000 pessoas por ano

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Advertising Agency: unknown 

#07. Dar um like não é ajudar. Seja um voluntário. Mude uma vida.

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Advertising Agency: Publicis, Singapore 

#08. Liga de Anti-Crueldade de Animal. Pare o abuso.

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Advertising Agency: Lowe Bull, Cape Town, South Africa 

#09. Não converse enquanto dirige.

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Advertising Agency: Mudra Group, India 

#10. Não está acontecendo aqui. Mas está acontecendo agora.

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Creative/Art director Pius Walker, Amnesty International, Switzerland. 

#11. Censura conta a história errada.

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Advertising Agency: Memac Ogilvy & Mather Dubai, UAE 

#12. A cada 60 segundos uma espécie morre. Cada minuto conta.

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Advertising Agency: Scholz & Friends, Berlin, Germany 

#13. Onde está o Pedófilo?

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Art Director: Michael Arguello, Copywriter: Bassam Tariq, Additional credits: Jason Musante 

#14. Abusadores sexuais podem se esconder no smartphone dos seus filhos.

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Advertising Agency: Herezie, Paris, France 

#15. Fumar causa velhice precoce.

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Advertising Agency: Euro RSCG Australia 

#16. Você não é um desenho. Diga não para a anorexia.

Advertising Agency: Revolution Brazil

#17. Crianças negligenciadas se sentem invisíveis. Pare o abuso infantil.

Australian Childhood Foundation, JWT Melbourne

#18. Sacolas plásticas matam.

Advertising Agency: BBDO Malaysia, MALAYSIA, Kuala Lampur/ Advertising Agency: Duval Guillaume, Belgium

#21. Para os desabrigados, cada dia é uma luta.

Advertising Agency: Clemenger BBDO Melbourne, Australia


#22. Por favor, não perca o seu controle enquanto bebe.

Advertising Agency: EURORSCG Prague, Czech Republic


#27. Quanto mais tempo uma criança sem autismo fica sem ajuda, mais difícil fica de chegar perto dela.


Advertising Agency: CHI & Partners, London, UK


#29. Trabalhadores não são ferramentas.


Advertising Agency: VVl BBDO, Belgium

Post original e completo: Blog Planeta Queijo

quarta-feira, 18 de março de 2015

Mulheres na publicidade

“Não existem muitos casos de propagandas machistas no Brasil porque a publicidade brasileira é madura para perceber que a pior coisa que pode fazer é irritar o consumidor, seja ele mulher, homem ou criança. De qualquer forma, nós não temos uma declaração oficial a respeito desse assunto”. Essa foi a resposta da assessoria de imprensa do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), por telefone, à pergunta da Pública referente a algumas peças publicitárias lançadas no Carnaval e no Dia Internacional da Mulher, rechaçadas nas redes sociais por serem consideradas machistas – algumas inclusive retiradas de circulação. O Conar é um órgão de autorregulamentação das agências publicitárias, encarregado de receber denúncias de consumidores ou órgãos públicos e julgar se a propaganda deve ser tirada do ar e a agência eventualmente advertida. Das 18 denúncias de machismo em propaganda recebidas em 2014 (pesquisadas pela Pública no site do Conselho), 17 foram arquivadas, e apenas uma, da cerveja Conti, que dizia em sua página do Facebook “tenho medo de ir no bar pedir uma rodada e o garçom trazer minha ex” terminou com um pedido de suspensão e advertência da agência que realizou a campanha.
Outra campanha, do site de classificados bomnegócio.com, em que o Compadre Washington chamava uma mulher de “vem ordinária”,que havia recebido pedido de suspensão, foi posteriormente reavaliada e o processo arquivado. As justificativas das decisões geralmente são de que as propagandas não são machistas mas sim humorísticas, como esta de março de 2014, referente a um spot de rádio da Itaipava: “Uma consumidora paulistana entendeu haver preconceito machista em spot de rádio da cerveja Itaipava. A anunciante e sua agência alegam o caráter evidentemente humorístico da peça publicitária. O relator aceitou esse ponto de vista e recomendou o arquivamento, voto aceito por unanimidade”.
A visão do Conar parece ser compartilhada pela maioria das agências, criadoras das peças publicitárias. Chamada a dialogar sobre a campanha “Verão” em que uma mulher chamada Vera é impedida de passar por um homem na praia, ela tentando correr e ele barrando sua passagem com o slogan “não deixe o Verão passar” ou em uma que ela leva e traz cervejas para os homens só de biquíni enquanto eles olham para seu corpo e chamam “vem Verão, vai Verão” ou ainda uma terceira em que a moça aparece de biquíni com uma lata e uma garrafa de cerveja na mão com o slogan “faça sua escolha” com a indicação de 300, 350 ou 600 ml – estes em uma alusão ao silicone do seio da modelo, a agência preferiu se pronunciar apenas por e-mail de sua assessoria de imprensa. “A Y&R, agência que criou a campanha, respeita, bem como seu cliente, todas pessoas e em especial as mulheres. Em momento nenhum faz qualquer tipo de alusão para desmerecer ou agredir quem quer que seja e considera que o humor utilizado não tem tom de agressividade ou qualquer juízo de valor”.
Peça publicitária da campanha “Verão” da Itaipava / Reprodução
Peça publicitária da campanha “Verão” da Itaipava / Reprodução
As entrevistas também foram negadas pela agência F/Nazca Saatchi & Saatchi, responsável pela campanha da Skol para o Carnaval que teve que mudar a campanha depois que seus cartazes de “Deixei o não em casa” foram pichados com a frase complementar “mas trouxe o nunca” por duas garotas de São Paulo, e pela Ajinomoto do Brasil, fabricante da Sopa Vono, que teve sua fanpage no Facebook invadida por reclamações por peças consideradas machistas e também teve de tirá-las do ar. Via assessoria de imprensa a F/Nazca Saatchi & Saatchi e a Ajinomoto disseram que lamentam o ocorrido, respeitam as mulheres, que o objetivo da peça era humorístico e que estão repensando suas estratégias.
De onde surge então o machismo das peças criadas pelas agências? Uma nova pista surgiu quando através de um pedido feito em um grupo fechado no Facebook, 15 mulheres de 20 a 40 anos, atuantes em áreas diversas da publicidade contaram à Pública como é o ambiente em que trabalham, dentro das agências. Os relatos, feitos sob anonimato pelo temor de perder o emprego, trazem casos de abuso, assédio e violência psicológica que viveram ou ainda vivem em suas carreiras. Trechos destes depoimentos estão destacados ao longo do texto.

A campanha de Vono que foi retirada do ar após reclamações na fanpage da marca
A campanha de Vono que foi retirada do ar após reclamações na fanpage da marca
Anúncio da Skol e a intervenção de Mila Alves e Pri Ferrari. A foto teve mais de 8 mil curtidas no Facebook / Foto: Reprodução
Anúncio da Skol e a intervenção de Mila Alves e Pri Ferrari. A foto teve mais de 8 mil curtidas no Facebook / Foto: Reprodução
“Antes de falarmos sobre publicidade machista, temos que falar sobre machismo na publicidade” argumenta a diretora de criação Thaís Fabris, idealizadora do projeto 65|10 que discute o papel da mulher na publicidade. “O ‘65’ vem do dado de uma pesquisa do Instituto Patrícia Galvão que aponta que 65% das mulheres brasileiras não se identificam com a publicidade e com a forma com que são retratadas pela publicidade. O número ‘10’ é de uma pesquisa que nós fizemos que mostrou que apenas 10% dos criativos dentro das agências brasileiras são mulheres. E é na criação que as campanhas são feitas”.

Mais um anúncio da Skol
Mais um anúncio da Skol
A gerente de planejamento Carla Purcino concorda: “Quando a gente olha para a representatividade feminina na publicidade percebe que é praticamente 50%. Mas a distribuição dentro dos departamentos é muito diferente. Entende-se que a criação é um reduto masculino e que a mulher é mais adequada para o departamento de atendimento. E na maioria das vezes as mulheres do atendimento precisam ser bonitas para seduzir os clientes. Quem trabalha no meio sabe de agências que já demitiram times inteiros de funcionárias dessa área por não serem tão bonitas. ‘Contratem garotas bonitas’. E isso obviamente influencia sobremaneira o resultado final”. As duas disseram topar dar o nome por trabalharem hoje em agências mais inclusivas mas Carla lembra que chegou a ouvir de um diretor de uma agência onde trabalhou, após pedir a negociação de alguns direitos trabalhistas, que “se ela fosse homem ele meteria a mão na sua cara”. Por outro lado, por se colocar contra campanhas machistas nas agências onde trabalhou, ela já foi chamada a ajudar quando uma delas foi atacada nas redes sociais: “Me pediram ajuda para contornar a situação e a gente conseguiu resolver mas a coisa ainda acontece muito de fora pra dentro. Por pressão das pessoas as agências são obrigadas a resolver aquelas campanhas pontuais, a coisa não parte de dentro pra fora. É algo como ‘ai, que gente chata’. E as publicitárias ainda têm muito medo de se pronunciar. Elas normalmente se calam diante de piadas e colocações machistas para não perderem seus empregos. Tem uma grande agência que entrega, na festa de fim de ano, um prêmio chamado ‘calota de ouro’ referindo-se ao volume da vagina da mulher. E para sobreviver, elas acabam entrando no jogo”.

Veja aqui, imagens encontradas da festa da agência África em 2010.
“Trabalhei para marcas como Brahma, Skol e Budweiser, em que o machismo impera em qualquer peça de comunicação. Por mais que tentássemos abrandar ou mostrar um novo viés para a campanha, sempre éramos obrigadas a seguir os conceitos e o lugar-comum das marcas de cerveja em que a mulher é só mais um ser criado para satisfazer e obedecer o homem”. R.J. 32
Como diretora de criação, Thaís diz que, para fazer parte do grupo, muitas mulheres também acabam se masculinizando e até reproduzindo esse machismo. “É a maneira que encontram de preservar suas carreiras. Emudecem e não questionam ou entram na lógica e reproduzem”.
Propaganda do Ministério da Justiça também foi considerada machista e retirada do ar / Foto: Reprodução
Propaganda do Ministério da Justiça também foi considerada machista e retirada do ar / Foto: Reprodução
Não existem dados oficiais sobre diferenças de salários e cargos na publicidade brasileira separados por gênero mas no geral, segundo o PNAD de 2013, mulheres recebiam cerca de 26,5% a menos que homens na mesma posição. E segundo a pesquisa “A mulher publicitária, preconceito e espaço profissional: estudo sobre a atuação de mulheres na área de criação em agências de comunicação em Curitiba” realizada em 2009, as mulheres correspondiam a menos de 20% nas áreas de criação. Em sua conclusão, o estudo aponta que muitas vezes as próprias mulheres contavam casos de discriminação sem entender como tal: “Percebe-se, assim, que a discriminação por parte do gênero masculino em relação ao feminino está tão enraizada na profissão, que acaba sendo acatada como uma manifestação sociocultural natural para as mulheres que trabalham dentro desses ambientes extremamente machistas. O discurso dos indivíduos que atuam na área, afirmando que existem mulheres que não servem para essa profissão por serem muito frágeis e fracas, é típico da construção hierárquica desigual da sociedade, que surge de seus tempos mais remotos.”
“Existe quase uma ordem natural de colocar as mulheres nas áreas de atendimento e gerenciamento de projeto do que em qualquer outra. existe uma série de piadas extremamente machistas e misóginas que ‘brincam’ com essa relação de mulher sempre virar atendimento”. F.B, 32
O anúncio da Always com Sabrina Sato que quer falar sobre vazamento menstrual e de imagens íntimas / Foto: Reprodução
O anúncio da Always com Sabrina Sato que quer falar sobre vazamento menstrual e de imagens íntimas / Foto: Reprodução
E você? O que você pensa sobre esse assunto?

Leia a matéria completa em: Machismo é a regra da casa - Geledés 

sábado, 14 de março de 2015

Publicidade, Consumo e Indústria Cultural

       1) Assista ao vídeo “Criança, a alma do negócio” e responda:
a) Relacione o título do documentário ao seu conteúdo.
b) De acordo com o documentário, como a exposição desregulada à campanhas publicitárias influencia as crianças nos seguintes itens:
- Relacionamentos (com outras crianças e com os pais)
- Desenvolvimento (psicológico, emocional, sexual...)
- Alimentação e saúde

       2) Leia o texto “Indústria Cultura e Consumo” e relacione:
a) Cada frase destacada ao conteúdo abordado no vídeo, citando exemplos (também do vídeo).
b) O conteúdo geral do texto ao conteúdo geral do vídeo.


Indústria Cultural e Consumo

Um conceito muito importante foi criado pelos pensadores da escola de Frankfurt Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkheimer (1895-1973), a Indústria Cultural. Esse conceito está ligado ao que conhecemos como cultura de massa e segue a lógica do sistema capitalista, ou seja, produção em larga escala de produtos, no caso produtos culturais, tornados disponíveis para quem pode comprá-los.
O sistema capitalista percebe que uma massa emerge e, mais ainda, percebe que além de se produzir mercadorias de consumo geral para essa massa, poderia ser possível produzir, também, e em larga escala, elementos da cultura, transformando-os em mercadorias. Daí o termo cultura de massa ou para as massas, pois a partir do momento que se produz em série para o consumo do povo em geral, para existir um novo padrão de significações na visão de mundo, no que as pessoas pensam, sentem e agem.
Para os autores, existe a possibilidade de ocorrer uma homogeneização das pessoas, grupos e classes sociais, pois a indústria cultural coloca a felicidade imediatamente nas mãos dos consumidores através da compra de alguma mercadoria ou produto cultural.
[...] O desenvolvimento tecnológico dos meios de comunicação é um grande aliado da indústria cultural. A televisão é o meio mais forte de massificação de informações e entretenimento. No final dos filmes ou novelas existe sempre a punição do vilão, ou seja, nos é mostrada uma vida sem conflitos e uma sociedade sem desigualdades, onde as possibilidades são sempre iguais para todos. Também através dos filmes, novelas e programas de televisão somos levados a consumir produtos que são anunciados nos intervalos ou aparecem sendo usados pelos atores e apresentadores durante a exibição do programa, criando ou modificando hábitos e criando a necessidade cada vez maior de consumo da sociedade, ligando a felicidade ao ato de comprar determinado produto.

Texto extraído do material pedagógico de apoio para Sociologia, disponível para professores em www.conexaoprofessor.gov.br 

quinta-feira, 12 de março de 2015

Normal?!

Charge de Chris Guillebeau.

Desde que nascemos, fomos condicionados a acreditar que devemos seguir um certo padrão para que possamos ser aceitos na sociedade. Tudo o que é diferente pode causar constrangimento, então toda a nossa realidade foi criada de modo a que não nos diferenciássemos do que é considerado normal pelos padrões sociais. O conceito de normalidade atual envolve se formar na escola, escolher um curso e ingressar na faculdade, fazer estágio, subir de cargo de tempos em tempos, arrumar um par, se casar, ter filhos, comprar uma casa, mobiliá-la e provavelmente passar bons anos pagando por tudo isso. Esse é um estilo de vida que pode ser interessante para muita gente, mas por um outro lado, também existe muita gente que não se encaixa nessa sequência de expectativas e que acha um desperdício ter que viver conforme os padrões alheios.
Por causa dessa educação e da influência cultural que tivemos, somos tomados por um grande medo do fracasso que nos impede de ir em uma nova direção – mesmo tendo certeza que essa nova direção poderia nos trazer muito mais satisfação e felicidade. O fantasma do “e se” nos assombra: “E se tudo der errado?”, “E se meus pais ficarem decepcionados?”, “E se eu não conseguir manter o meu padrão de vida?”, “E se a educação dos meus filhos for prejudicada?”. Como encontrar respostas para tantos “e se” é algo difícil, geralmente empacamos nessa fase e deixamos nossos sonhos serem somente sonhos.

Texto e imagem extraídos de: http://nomadesdigitais.com/8-coisas-terriveis-que-podem-acontecer-se-voce-largar-tudo-para-correr-atras-dos-seus-sonhos/# 
Vai até lá pra ler o restante. É bem legal!

quarta-feira, 12 de março de 2014

Ciência da sociedade

Leia o texto abaixo:

Mas o que é uma atitude científica em Sociologia? É a atitude de, a partir da constatação de um problema social, observar os fatos e a realidade dos indivíduos e grupos, suas relações, formular uma hipótese de explicação e, ao final, pronunciar leis ou tendências de que um fato ocorre por motivos tais e tais.

Vamos descrever um exemplo: temos um problema social que se chama desemprego (é social porque atinge vários indivíduos). A partir dessa constatação, poderíamos formular a hipótese de que a política econômica de um governo promove o desemprego. Em seguida, passamos a observar a realidade com dados estatísticos em mãos, pesquisas com desempregados para ver os motivos que levaram ao desemprego. Ao final, retornamos a nossa hipótese e podemos verificar que a política macroeconômica tende a provocar desemprego em massa num país (...) 

OLIVEIRA, Luiz Fernando e COSTA, Ricardo Cesar Rocha. Sociologia para jovens do século XXI. Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2007. Página 26. 

1) Quais diferenças entre um conhecimento do senso comum e um conhecimento sociológico você pode destacar?

2) Dê exemplos sobre preconceitos sociais que você conhece que são baseados no senso comum (mínimo de 3).

3) Como você poderia usar o conhecimento sociológico para desconstruir esses exemplos de preconceito?

 

Vizinhos e internautas

Rio de Janeiro - Estudiosos do comportamento humano na vida moderna constatam que um dos males de nossa época é a incomunicabilidade das pessoas. Já foi tempo em que, mesmo nas grandes cidades, nos bairros residenciais, ao cair da tarde era costume os vizinhos se darem boa noite, levarem as cadeiras de vime para as calçadas e ficar falando da vida, da própria e da dos outros.
A densidade demográfica, os apartamentos, a violência urbana, o rádio e mais tarde a TV ilharam cada indivíduo o casulo doméstico. Moro há 18 anos num prédio da Lagoa; tirante os raros e inevitáveis cumprimentos de praxe no elevador ou na garagem, não falo com eles nem eles comigo. Não sou exceção. Nesse lamentável departamento, sou regra.
Daí que não entendo a pressão que volta e meia me fazem para navegar na internet. Um dos argumentos que me dão é que posso falar com pessoas na Indonésia, saber como vão as colheitas de arroz na China e como estão os melões na Espanha.
Uma de minhas filhas vangloria-se de ser internauta. Tem amigos na Pensilvânia e arranjou um admirador em Dublin, terra do Joyce, do Berard Shaw e do Oscar Wilde. Para convencê-la de seus méritos, ele mandou uma foto em cor que foi impressa em alta resolução. É um jovem simpático, de bigode, cara honesta. Pode ser que tenha mandado a foto de um outro.
Lembro a correspondência sentimental das velhas revistas de antanho. Havia sempre a promessa: "Troco fotos na primeira carta". Nunca ouvi dizer que uma dessas trocas tenha tido resultado aproveitável. Para vencer a incomunicabilidade, acredito que o internauta deva primeiro aprender a se comunicar com o vizinho de porta, de prédio, de rua. Passamos uns pelos outros com o desdém de nosso silêncio, de nossa cara amarrada. Os suicidas se realizam porque, na hora do desespero, falta o vizinho que lhe deseje sinceramente uma boa noite.
CONY, Carlos Heitor. Vizinhos e internautas. Folha de S. Paulo, 26 jun. 1997. Opinião, p. A2

Atividade:
1) No texto, Carlos Heitor Cony fala de mudanças que ocorreram nas cidades nos últimos anos. No lugar onde você vive, ocorreram mudanças importantes nos últimos trinta anos? Cite pelo menos duas e explique como elas alteraram o modo de vida e as relações entre as pessoas.
2) Você pensa que as mudanças na sociedade podem influir no comportamento das pessoas no espaço da família, da escola ou de outros grupos de convívio? De que forma?
3) A internet nos aproxima de muitas pessoas que com frequência nem conhecemos, mas parece que nos distancia de quem está perto de nós. O que você pensa disso?
4) Reflita brevemente sobre como seria seu relacionamento com sua família e amigos se não existisse comunicação online. O que seria diferente? O que seria melhor? O que seria pior?

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Conhecimento científico x Senso comum

Algumas características:

Particular/ geral
Do senso comum resulta um conhecimento particular, restrito a uma pequena amostra da realidade, a partir da qual são feitas generalizações muitas vezes apressadas e imprecisas. Os dados observados costumam ser selecionados de maneira não muito rigorosa. Em outras palavras, conclui-se para todos os objetos o que vale para um ou para um grupo de objetos observados.
Já as conclusões da ciência são gerais no sentido de que não valem apenas para os casos observados, e sim para todos os que a eles se assemelhem. Afirmações como "o peso de qualquer objeto depende do campo de gravitação" ou "a cor de um objeto depende da luz que ele reflete" ou ainda "a água é uma substância composta de hidrogênio e oxigênio" são válidas para todos os corpos, todos os objetos coloridos ou qualquer porção de água, e não apenas para aqueles que foram objeto da experiência.
A diferença entre elas deve-se ao fato de que as afirmações do senso comum são assistemáticas, enquanto as explicações da ciência são sistemáticas e controláveis pela experiência, o que permite chegar a conclusões gerais. Se o saber comum observa um fato a partir do conjunto dos dados sensíveis que formam nossa percepção imediata, pessoal e efêmera do mundo, o fato científico é um fato abstrato, isolado do conjunto em que se encontra normalmente inserido e elevado a um grau de generalidade.


Fragmentário/ unificador
Em comparação com a ciência, o conhecimento espontâneo é fragmentário, pois não estabelece conexões em situações em que essas poderiam ser verificadas. Por exemplo: pelo senso comum não é possível perceber qualquer relação entre o orvalho da noite e o "suor" que aparece na garrafa retirada da geladeira; nem entre a combustão e a respiração (que é uma forma de combustão discreta relacionada à queima dos alimentos no processo digestivo para obter energia). Se dermos crédito à velha história, é interessante lembrar as circunstâncias em que Isaac Newton teria intuído a lei da gravitação universal. Ao associar a queda de uma maçã à "queda" da Lua. Aliás, o caráter unificador dessa teoria nos permite associar fenômenos aparentemente tão díspares como o movimento da Lua, as marés, as trajetórias dos projéteis e a subida dos líquidos nos tubos delgados.

Subjetivo/ objetivo
O senso comum é frequentemente subjetivo, porque depende do ponto de vista individual e pessoal, não fundado no objeto, e condicionado por sentimentos ou afirmações arbitrárias do sujeito. se temos antipatia por alguém, é preciso certo esforço para reconhecer, por exemplo, seu valor profissional. Ao observar o comportamento de povo com costumes diferentes dos nossos, tendemos a julgá-los baseados em nossos valores e considera-los estranhos, ignorantes, engraçados ou até desprezíveis.
O mundo construído pela ciência aspira à objetividade. É objetivo o conhecimento imparcial, que independe das preferências individuais e que resulta da descentralização do sujeito que conhece, pelo confronto com outros pontos de vista. No caso das ciências, as conclusões podem ser testadas por qualquer outro membro competente da comunidade científica.

Ambiguidade/ rigor
Para ser precisa e objetiva, a ciência dispõe de uma linguagem rigorosa cujos conceitos são definidos para evitar ambiguidades. A linguagem tona-se cada vez mais precisa, à medida que utiliza a matemática para transformar qualidades em quantidades. A matematização da ciência adquiriu grande importância no trabalho de Galileu. Ao estabelecer a lei da queda dos corpos, po exemplo, Galileu mediu o espaço percorrido e o tempo que um corpo leva para descer o plano inclinado, e ao final das observações registrou a lei numa formulação matemática.
É bem verdade que o mesmo não ocorre com as ciências humanas, cujo componente qualitativo não pode ser reduzido à quantidade. Algumas delas, como é o caso da psicanálise, não fazem uso da matemática ou da experimentação, embora outras teorias psicológicas, como as comportamentalistas, recorram não só às experiências em laboratório como à matemática e à estatística.


Fonte: Filosofando - Introdução à Filosofia. Maria Lúcia de Arruda Aranha, Maria Helena Pires Martins.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A cidade: movimentos pessoais e sociais

Um grupo de 30 estudantes de pós-graduação criou um programa de internet para ensinar aos alunos e professores como tirar proveito de sua vizinhança. Digita-se, por exemplo, a palavra "skate" e fica-se sabendo como encontrar, nas redondezas, aulas desse esporte. Escrevendo o termo "drogas", surgirão, na tela, os nomes dos médicos e dos psicólogos mais próximos dispostos a ajudar as vítimas da dependência.
Simplificando, é uma espécie de de Google focado no bairro. A chave do programa é capacitar a comunidade para montar seu próprio banco de dados; a iniciativa vale por um curso popular de georreferenciamento.
O Ministério da Educação, ao tomar conhecimento da invenção, decidiu então disseminá-la em todo o país para realizar a formação de professores e diretores, ajudando-os a criar comunidades de aprendizagem em torno de suas escolas.
O que interessa aqui não é a educação nem a informática, mas a dica por trás da rápida aceitação desse mecanismo de busca: isso tem muito mais que ver com política do que com tecnologia.
Está crescendo a percepção de que boa parte da solução dos problemas sociais brasileiros depende da inventividade local, numa inversão da lógica brasileira tradicional de valorização do poder central.
As cidades brasileiras, seguindo essa lógica, começam a se organizar - estimuladas por lideranças locais, como líderes do movimento dos sem-teto, dirigentes de associações de carroceiros, educadores da periferia, atletas, diretores de banco e empresários.
A tendência é uma mobilização apartidária com o objetivo de melhorar a qualidade de vida na cidade, com metas de longo prazo a serem fiscalizadas. A motivação dessa agenda são, geralmente, os exemplos bem-sucedidos de Bogotá, Barcelona e Nova York.
Segundo essa lógica, vamos prestar atenção cada vez menos a Brasília e cada vez mais a soluções como o pedágio urbano de Londres, a ofensiva de Nova York para liderar a redução da emissão de gás carbônico, os projetos de Paris para tirar os carros da rua, os modelos de segurança em Bogotá.
Também vamos tentar entender melhor como a minúscula e pobre cidade de Barra do Chapéu é campeã do indicador do Ministério da Educação, como uma cidade rural da Índia (Udaipur) combateu o absenteísmo de professores distribuindo uma máquina fotográfica aos alunos ou como o índice de violência despencou no Morro do Cavalão, em Niterói.

Para outras experiências de engenhosidade local clique aqui 

Fonte: Dimenstein, Gilberto et. all. Dez Lições de Sociologia, pág.271, 272

Mulheres e movimentos sociais - Atividade

Leia, a seguir, o documento 1 e observe a imagem exposta no documento 23 para responder ao roteiro de questões:

Documento 1
O AEROPLANO COMO VEÍCULO DE PROPAGANDA*
Folha da Manhã, sábado, 12 de maio de 1928.

RIO, 12 - O feminismo continua sua propaganda.
Hoje, a cidade assistiu a um interessante e inedito acontecimento. Distinctas senhoras, que fazem parte proeminente da diretoria da "Federação Brasileira pelo Progresso Feminino", voaram sobre a ciade em aeroplano, distribuindo cartões postaes e manifestos de propaganda do voto feminino.
Foram as sras. Bertha Lutz, sua brilhante presidente, d. Maria Amalia Bastos, primeira secretaria, e dra. Carmen Velloso Portinho, thesoureira.
Um dos postaes tinha os seguintes dizeres:
"As mulheres já podem votar em trinta paizes e um Estado brasileiro, por que não hão de votar em todo o Brasil?"
[...]
As feministas deixaram ainda cahir o seguinte appello à imprensa:
"A Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, orgam do movimento feminista no Brasil, faz um appello á imprensa carioca, sempre generosa na defesa das causas nobres, solicitando que dê o seu apoio á campanha em pról dos direitos politicos da mulher".

*Mantida a grafia original
Almanaque Folha de São Paulo. Disponível em: <http://almanaque.folha.uol.com.br/brasil_12mai1928.htm>. Acesso em: 25/7/2007.

Documento 2




Questões:

  1. Em relação ao documento 1:
    • Com base na leitura da reportagem de 1928, identifique as principais reivindicações do movimento feminista no episódio relatado.
    • Sobre a tática de ação das feministas utilizada no episódio, pode-se dizer que ela foi eficiente para divulgar as ideias do movimento? Por quê?
    • Pode-se afirmar que as reivindicações feministas de 1928 obtiveram sucesso? Justifique sua resposta.
  2. Observe atentamente as imagens que compõem o documento 2:
    • Quais são as principais reivindicações ligadas ao movimento feminista atualmente?
    • Você considera que essas reivindicações estão sendo discutidas pela sociedade? Em que situações?
    • É correto afirmar que as reivindicações atuais do movimento feministas são acatadas pela sociedade? Por quê?
  3. Comparando o contexto da década de 1920 e a situação das mulheres hoje:
    • Quais foram as principais conquistas obtidas pelo movimento feminista nas últimas décadas, na sua opinião?
    • Considerando que os movimentos sociais têm como finalidade produzir a transformação social, é correto afirmar que o movimento feminista foi bem-sucedido em seus objetivos ao longo do século XX? Justifique.
  4. Aponte cinco situações na sua vida hoje que não seriam possíveis sem as conquistas alcançadas pelo movimento de mulheres (seja você homem ou mulher).
  5. Em que situações cotidianas a igualdade entre os sexos ainda não foi alcançada? Justifique com exemplos retirados da mídia ou vivenciados no seu dia-a-dia.
Se você acha que feminista tá sempre de cara pintada e faixa na mão, clique aqui!

Adaptado de Dimenstein, Gilberto et. all. Dez Lições de Sociologia, pág.269, 270

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Movimento Feminista



Dentre tantas lutas, o movimento feminista se destacou pela perseverança na luta pela igualdade de direitos. À primeira vista, parece-nos que as mulheres estavam marcadas pelo imobilismo e pela invisibilidade social. Autossacrifício, submissão, obediência são estereótipos enganosos que ignoram o verdadeiro papel da mulher na sociedade brasileira. A visão patriarcal reforçava os papéis antagônicos de homens e mulheres: cabia aos primeiros desbravar os sertões, conquistar riquezas, prover o lar, e a elas restaria a tarefa de multiplicar a prol.
No século XIX, surgiram as primeiras organizações de mulheres que se engajaram na luta pelo direito à instrução e ao voto. No Rio Grande do Norte, Nísia Floresta (1809-1885), abolicionista e republicana, combatia a ignorância das mulheres e a dependência feminina em relação aos homens. Já no início da República, com o crescimento do comércio e da indústria, a mão-de-obra feminina se incorporou à produção social, possibilitando o surgimento dos movimentos de libertação.
Em 1932, como resultado de uma luta histórica, o voto feminino foi incluído no Código Eleitoral. Desde então, as mulheres têm ampliado sua participação política e tornaram-se agentes transformadores da própria História.
Atualmente, apesar de tantas conquistas, os meios de comunicação insistem em promover uma imagem extremamente negativa do universo feminino, ligando a mulher a futilidades, modismos e ideais de beleza duvidosos.





8 de março, Dia Internacional da Mulher

Os movimentos sindicais, típicos das sociedades industriais, lutaram durante todo o século XIX e início do século XX pela redução da jornada de trabalho, mobilizando milhões de trabalhadores. Integrando-se a essa luta, 129 mulheres tecelãs da Fábrica de Tecidos Cotton, em Nova York, paralisaram os trabalhos exigindo uma jornada de trabalho de 10 horas diárias, na primeira greve norte-americana conduzida unicamente por mulheres. Violentamente reprimidas pela polícia, as operárias refugiaram-se num dos galpões da fábrica. No dia 8 de março de 1857, os patrões e a polícia trancaram as portas do galpão e atearam fogo nele. As tecelãs morreram asfixiadas.
Durante a II Conferência Internacional de Mulheres, realizada em 1910, na Dinamarca, a famosa ativista pelos direitos femininos Clara Zetkin propôs que o 8 de março fosse declarado Dia Internacional da Mulher, homenageando as tecelãs de Nova York. Em 1911, mais de um milhão de mulheres se manifestaram na Europa. A partir daí, essa data começou a ser comemorada no mundo inteiro, sendo reconhecida pela Organização das Nações Unidas - ONU em 1975.
Fonte: Dimenstein, Gilberto et. all. Dez Lições de Sociologia, pág.266-268