domingo, 13 de outubro de 2013

Cotas nas universidades: vários pontos de vista

A política de reserva de vagas para afrodescedentes nas universidades públicas frequentemente (re) surge nos meios de comunicação. Seus críticos argumentam que a dificuldade de aferir se o candidato à vaga é descendente de negros prejudica a transparência da iniciativa. Outros defendem que essa ação compensatória não deveria se pautar por critérios raciais, mas econômicos - ou seja, deveria ser criada a reserva de vagas para alunos pobres independentemente de sua "raça" ou "etnia".
Há também opiniões abertamente contrárias às cotas. Há quem aponte o fato de os beneficiados não conseguirem acompanhar as exigências acadêmicas de cursos "difíceis" (afinal, muitos cotistas são alunos de escolas públicas, com ensino "fraco"). Outra opinião contrária bastante difundida é a desigualdade no tratamento dos candidatos mais bem preparados.
Já seus defensores argumentam que as cotas são uma forma concreta de reparar erros do passado com uma política temporária, que visa dar ao maior número de afrodescendentes oportunidades de ascensão social por meio do estudo.
Polêmicas à parte, permanece a questão: como promover a superação das desigualdades decorrentes da escravidão e de uma abolição que não pensou na integração dos ex-escravos?

Fonte: Dimenstein, Gilberto. Dez Lições de Sociologia - Para um Brasil cidadão.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Enem 2013: dicas de temas na área de Ciências Humanas


Fique atento para a interdisciplinaridade presente nos temas divulgados para a prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias:

- Diversidade cultural, conflitos e vida em sociedade;
- Formas de organização social, movimentos sociais, pensamento político e ação do Estado;
- Características e transformações das estruturas produtivas;
- Os domínios naturais e a relação do ser humano com o ambiente;
- Representação espacial.

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10 questões de HISTÓRIA para entender o Enem
Evolução Humana: Esta questão apresenta um gráfico a ser interpretado, além da relação interdisciplinar entre história e biologia. Este diálogo entre disciplinas de diferentes áreas do conhecimento é uma constante no Enem.

Guerra Fria: Para essa questão é importante que o candidato tenha o conhecimento factual, ou seja, domínio dos conteúdos cobrados no programa do MEC. Além disso, a questão trata da Guerra Fria, um dos temas mais cobrados do Enem.

Economia na Era Vargas: Esta questão é importante na medida que trata da Era Vargas, um tema que aparece em várias edições do Enem. Características do período, como o direito dos trabalhadores, a ditadura do Estado Novo, industrialização e outras mudanças econômicas são recorrentes na prova.

 Alienação do Trabalho: Esta questão, além de tratar da Revolução Industrial – tema também muito cobrado na prova, confronta duas fontes diferentes a serem interpretadas.

Pluralidade Cultural: Esta questão mostra que o Enem não tem só a intenção de cobrar conteúdos, ou mesmo testar o raciocínio e interpretação dos candidatos. O Enem também é uma prova que busca educar, através de questões visando posturas politicamente corretas.

Barbárie e Civilização: Já dissemos anteriormente que o questionamento de valores é uma constante no Enem. Esta questão, além de levantar esta análise, também estimula a comparação de imagens enquanto documentos históricos.

Crítica Social de Portinari: É bom entender a forma como algumas questões de história do Enem são elaboradas. Neste caso, a relação entre texto e imagem é apresentada de forma diferente.  A imagem é inserida como resposta, não como contexto. Legal, né? Mas isso não representa uma tendência do Enem. É mais um caso isolado.

Suicídio de Vargas: Esta questão mostra que a preocupação com Getúlio extrapola a Era Vargas. Olha o homem aí de novo. Fique atento a momentos marcantes da História do Brasil, pois costumam ser muito cobrados nas provas.

Povoamento da América: A inclusão desta questão nesta lista é muito simples: não há no guia de conteúdos do Enem menção sobre a pré-história da América. Mesmo assim, o assunto foi cobrado. Isto nos leva a conclusão de que não dá para seguir apenas o guia.

Colonização da África: História da África, escravidão, a luta dos negros e seu papel na formação do Brasil são temas recorrentes no Enem. Há várias questões sobre este tema. Portanto, fique atento a ele.



domingo, 29 de setembro de 2013

E a luta continua...

Após mais de cinco séculos de lutas, e apesar dos preconceitos, a formação do povo brasileiro incorporou várias contribuições trazidas pelos povos indígenas e pelos negros africanos.
Gastronomia, música e dança, folclore e mitos, manifestações religiosas, expressões linguísticas, dentre outras, são apenas algumas das áreas em que essas contribuições são facilmente identificadas. A literatura,o cinema, o teatro e a televisão receberam influências de iracemas e macunaímas, de zumbis e sacis.
Apesar disso, os povos indígenas e os afrodescendentes ainda hoje enfrentam dificuldades para obter sua integração social. A maioria dos índios e negros vive em situação precária, tendo poucas oportunidades de acesso às condições básicas que garantam sua sobrevivência.
No caso dos índios, mesmo após a proibição de sua escravização, o estrago já estava feito. sem resistência contra as doenças trazidas pelos europeus, muitas tribos foram dizimadas. Os que praticavam rituais antropofágicos, inaceitáveis pela lógica cristã, ou os que defendiam as terras em que viviam diante da expansão agrícola foram mortos em "guerras justas". Se o extermínio não veio pela escravização, ele quase se realizou no simples contato com os portugueses.
No início da colonização, existiam mais de 1.500 grupos tribais, com grandes diferenças culturais entre si.. Para se ter uma noção dessa diversidade, basta citar que havia mais de 1.300 línguas indígenas. Dessas, sobreviveram cerca de 180, além das faladas por alguns poucos grupos ainda hoje isolados e sobre os quais não há estudos de classificação linguística.
Hoje, considera-se que a população indígena tenha cerca de 350 mil indivíduos, além de milhares de índios que vivem nas cidades. Mais da metade vive nas regiões Centro-Oeste e Norte.
Várias tribos lutam para garantir a posse de suas terras. As áreas demarcadas são frequentemente invadidas por brancos em busca de madeiras nobres e metais preciosos. Em alguns estados amazônicos, é comum encontrarmos campanhas contra a criação de novas reservas indígenas. Muitas aldeias convivem com doenças, alcoolismo e suicídios de jovens sem perspectivas de futuro.. Rotulados de modo pejorativo, esses índios sofrem grave discriminação.
Em relação aos descendentes dos escravos africanos, a situação não é melhor. Leis como a Eusébio de Queirós, que proibiu o tráfico marítimo de escravos em 1850, a do Ventre Libre (1871) e a dos Sexagenários (1885) foram formas de protelar ao máximo o fim da escravidão, atendendo aos interesses dos grandes proprietários de terras. Somente com a chegada dos imigrantes, a partir da segunda metade do século XIX, é que a mão-de-obra escrava foi sendo lentamente substituída pelo trabalho desses imigrantes.
Com o fim da escravidão, declarado legalmente pela Lei Áurea em 13 de maio de 1888, milhões de negros foram "libertados" e a maioria saiu das senzalas para favelas e cortiços. Sem acesso a emprego, moradia, educação, muitos negros libertos tornaram-se mão-de-obra barata nos centros urbanos, caindo muitas vezes na marginalidade. Tudo isso só fez reforçar o preconceito racial, que já era muito grande.
Ainda hoje, as estatísticas demonstram que a maioria da população carcerária no Brasil é constituída de negros e mulatos. Esses grupos também são os que têm menor escolaridade, maior taxa de mortalidade infantil, menor índice de expectativa de vida.
Hoje, diversos movimentos conquistaram leis em favor dos direitos da população negra. O Estado brasileiro tornou-se responsável por políticas públicas destinadas a pagar a dívida histórica que o país tem com os afrodescendentes.
Ações afirmativas, como a política de cotas nas uniersidades federais,foram pensadas para que durante alguns anos uma parcela da população negra e índia tenha maior acesso ao ensino superior. Ações como essa provocam muitas polêmicas e não há consenso sobre como encaminhá-las.
Mesmo depois de tanto tempo, com tantas barreiras para se promover a integração entre os povos que habitavam o Brasil, não é de se estranhar que os negros e índios ainda tenham de lutar até serem aceitos definitivamente como parte do povo brasileiro.

Fonte: "10 Lições de Sociologia - para um Brasil cidadão", Gilberto Dimenstein

sábado, 28 de setembro de 2013

Estereótipos









Alguns conceitos de sistema político

Estado e governo: a palavra Estado (com a letra "E" maíuscula) diz respeito à organização política, jurídica e social de um determinado território geográfico, dirigida por um governo e regulamentada por um conjunto de leis. Dessa forma, o Estado é uma entidade que se mantém ao longo do tempo (excetuando-se em casos de revoluções ou secessões) e pode corresponder de forma ampla com a ideia de nação. Por sua vez, os governos de um determinado Estado podem se alterar, tanto em relação aos indivíduos que o compõe, quanto do ponto de vista de sua organização. Pense nos seguintes exemplos: a Proclamação da República representou uma mudança na forma de governo no Brasil (de monarquia para um modelo republicano), mas manteve o mesmo Estado. Da mesma forma, as eleições gerais (como a ocorrida em 2010) proporcionaram uma mudança no governo, enquanto a unidade do Estado brasileiro se manteve.

Sistema político ou forma de governo: são as formas de organização das instituições políticas em um Estado. Os regimes democráticos podem assumir diferentes formas de governo: no caso brasileiro, vivemos em um modelo presidencialista, onde o Chefe de Governo é eleito pelo povo; existem ainda as monarquias constitucionais (como no caso do Reino Unido) e os governos parlamentaristas (como, por exemplo, Israel), onde o chefe do poder executivo é apontado pelo conjunto dos representantes eleitos para o poder legislativo. 

Democracia representativa: também chamada de democracia indireta, é a forma de democracia onde os membros do governo são eleitos para atuarem, por um determinado período de tempo (mandato), como representantes de um determinado grupo de pessoas. No caso brasileiro, por exemplo, senadores e deputados federais são eleitos para representar os eleitores dos seus diferentes estados de origem. Na prática, é como se os eleitores transferissem sua capacidade política, temporariamente, para outros cidadãos que atuam como representantes do povo junto aos diferentes poderes do governo. No Brasil, os candidatos aos cargos eletivos devem estar associados a um partido político.

Partido político: é uma organização política-burocrática, não governamental, que agrega indivíduos com interesses e ideologias diferentes. No mundo ocidental, não existe democracia sem a existência de partidos políticos que representem diferentes ideias, políticas e planos de governo. Em certos casos, diferentes partidos podem se reunir em torno de alianças e coalizões, de forma a conquistar objetivos comuns. No Brasil, durante a maioria do período da ditadura militar, eram apenas dois partidos (sendo proibido, no entanto, o uso da palavra "partido"). Tratavam-se da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), a base de sustentação civil do regime militar e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que deveria exercer uma oposição moderada ao regime, mas sem poder exceder o número de representantes eleitos do primeiro. Outras ideologias e partidos eram severamente reprimidos.

Democracia direta: é o termo usado para descrever ações políticas e formas de organização exercidas pelos cidadãos sem mediação de representantes eleitos. É característica de pequenos grupos ou associações (como, por exemplo, organizações de ideologia anarquista), mas também podem existir em nível nacional, como no caso da Suíça (onde, em ações políticas regionais, uma maioria simples é suficiente para aprovar uma lei proposta por um cidadão). No Brasil, o termo é usado para se referir a formas de consulta aos cidadãos que não envolvam seus representantes eleitos, como os plebiscitos. 

Plesbicito, referendo e iniciativa popular: são formas de democracia direta no sistema brasileiro. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, são "consultas ao povo para decidir sobre matéria de relevância para a nação em questões de natureza constitucional, legislativa ou administrativa." O plebiscito é convocado anteriormente à criação de uma lei ou ato administrativo, ao passo que um referendo é convocado posteriormente, para a aceitação ou rejeição de uma medida de governo ou lei. Uma iniciativa popular é a apresentação de um projeto de lei apoiada por no mínimo, 1% do eleitorado nacional, distribuídos em ao menos cinco estados. A Lei da Ficha Limpa, por exemplo, surgiu de uma iniciativa popular.

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/plano-de-aula-sociologia-sistema-politico-brasil-745568.shtml

A organização política no Brasil

A organização política no Brasil

Em diversas nações do mundo e no Brasil contemporâneo, o poder e atividades governamentais baseiam-se no princípio da divisão em três poderes: executivo, legislativo e judiciário. Em termos conceituais, essa divisão é baseada nas ideias de pensadores iluministas, como John Locke (1632 - 1704) e Charles de Montesquieu (1689 - 1755), e visa evitar os desvios e distorções caracterizados pela centralização dos poderes de governo em um indivíduo ou grupo social, como é o caso dos regimes autoritários e das antigas monarquias absolutistas. Assim, de acordo com Montesquieu, esse modelo tripartite implica não apenas em uma divisão das funções de governo necessárias a um Estado democrático, mas também em mecanismos de controle mútuo entre os diferentes poderes, de forma que nenhum deles se sobressaia, cometendo desvios que possam prejudicar os cidadãos.

O poder executivo é encarregado de realizar as diferentes tarefas administrativas necessárias ao bem comum, observados os limites determinados pelas leis vigentes. No Brasil, é formado por órgãos de administração direta, como ministérios e secretarias, e indireta, como empresas públicas e autarquias.

Por sua vez, o poder legislativo é incumbido da elaboração das leis, por meio das atividades de representantes democraticamente eleitos. Também cabe ao legislativo a aprovação de projetos de lei propostos pelo poder executivo, assim como a fiscalização de suas atividades administrativas (como, por exemplo, a correta destinação de recursos públicos).

A tarefa de interpretação das leis, de garantir os direitos dos individuais e coletivos e de mediar conflitos é de responsabilidade do poder judiciário. Cabem a esse poder o julgamento e a determinação de penas para indivíduos ou entidades que não estejam agindo de acordo com as leis.

Além da divisão dos poderes, as funções de governo no Brasil são divididas também em três diferentes esferas: federal, estadual e municipal. A cada uma dessas esferas correspondem diferentes atribuições, mecanismos administrativos e até mesmo sistemas de tributação. Dessa maneira, apesar de representarem o poder executivo, o Presidente da República, os governadores dos estados e os prefeitos possuem atribuições e responsabilidades distintas, de acordo com sua esfera de atuação. Por exemplo, no caso do sistema educacional brasileiro, existe uma divisão de responsabilidades entre municípios, estados e governo federal: aos municípios cabe o gerenciamento de pré-escolas e do ensino fundamental; os estados devem organizar a oferta de ensino médio, mas atuando com os municípios no ensino fundamental; ao governo federal, cabe a regulação do sistema como um tudo e, de forma específica, do ensino superior.

De forma semelhante, o poder legislativo se divide em diversas esferas com organizações distintas: câmaras de vereadores no caso dos municípios, assembleias legislativas unicamerais no caso dos estados, e o Congresso Nacional (composto pela Câmara dos Deputados e o Senado) no nível federal. No caso do poder judiciário também se observa uma divisão entre órgãos e tribunais federais e estaduais. No entanto, não existem tribunais municipais. Nesse caso, um certo número de municípios podem compor uma comarca, sob o comando de um juiz de direito.


Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/plano-de-aula-sociologia-sistema-politico-brasil-745568.shtml

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O Racismo



- Escuta aqui, ó criolo...

- O que foi?

- Você andou dizendo por aí que no Brasil existe racismo.

- E não existe?

- Isso é negrice sua. E eu que sempre te considerei um negro de alma branca... É, não adianta. Negro quando não faz na entrada...

- Mas aqui existe racismo.

- Existe nada. Vocês têm toda a liberdade, têm tudo o que gostam. Têm carnaval, têm futebol, têm melancia... E emprego é o que não falta. Lá em casa, por exemplo, estão precisando de empregada. Pra ser lixeiro, pra abrir buraco, ninguém se habilita. Agora, pra uma cachacinha e um baile estão sempre prontos. Raça de safados! E ainda se queixam!

- Eu insisto, aqui tem racismo.

- Então prova, Beiçola. Prova. Eu alguma vez te virei a cara? Naquela vez que te encontrei conversando com a minha irmã, não te pedi com toda a educação que não aparecesse mais na nossa rua? Hein, tição? Quem apanhou de toda a família foi a minha irmã. Vais dizer que nós temos preconceito contra branco?

- Não, mas...

- Eu expliquei lá em casa que você não fez por mal, que não tinha confundido a menina com alguma empregadoza de cabelo ruim, não, que foi só um engano porque negro é burro mesmo. Fui teu amigão. Isso é racismo?

- Eu sei, mas...

- Onde é que está o racismo, então? Fala, Macaco.

- É que outro dia eu quis entrar de sócio num clube e não me deixaram.

- Bom, mas pera um pouquinho. Aí também já é demais. Vocês não têm clubes de vocês? Vão querer entrar nos nossos também? Pera um pouquinho.

- Mas isso é racismo.

- Racismo coisa nenhuma! Racismo é quando a gente faz diferença entre as pessoas por causa da cor da pele, como nos Estados Unidos. É uma coisa completamente diferente. Nós estamos falando do crioléu começar a freqüentar clube de branco, assim sem mais nem menos. Nadar na mesma piscina e tudo.

- Sim, mas...

- Não senhor. Eu, por acaso, quero entrar nos clubes de vocês? Deus me livre.

- Pois é, mas...

- Não, tem paciência. Eu não faço diferença entre negro e branco, pra mim é tudo igual. Agora, eles lá e eu aqui. Quer dizer, há um limite.
- Pois então. O ...
- Você precisa aprender qual é o seu lugar, só isso.
- Mas...
- E digo mais. É por isso que não existe racismo no Brasil. Porque aqui o negro conhece o lugar dele.
- É, mas...
- E enquanto o negro conhecer o lugar dele, nunca vai haver racismo no Brasil. Está entendendo? Nunca. Aqui existe o diálogo.

- Sim, mas...

- E agora chega, você está ficando impertinente. Bate um samba aí que é isso que tu faz bem.

Luis Fernando Veríssimo

Atividade:
1) Destaque, no mínimo, 5 expressões racistas do texto e explique porque você as considerou racistas.
2) Explique a charge do texto.