Mostrando postagens com marcador cultura brasileira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cultura brasileira. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Você já ouviu falar em Patrimônio Cultural?


Você já ouviu falar em patrimônio cultural? O patrimônio cultural é composto de bens materiais e imateriais que devem ser preservados por causa da sua relevância para uma região, cidade, país ou mesmo para toda a humanidade. O que determina que um bem seja considerado patrimônio cultural é a sua afinidade com a identidade ou cultura de um povo..

Os bens materiais podem ser construções e bens imóveis, como monumentos, igrejas e outros prédios de importância histórica ou arqueológica. Um conjunto de edificações, como é o caso das cidades de Olinda e Ouro Preto, MG, também pode ser considerado patrimônio cultural.

Já os bens imateriais constituem-se das manifestações artísticas, da música, do folclore, da linguagem, dos costumes e até mesmo dos hábitos culinários característicos de um determinado lugar. São considerados patrimônios culturais brasileiros ritmos como o jongo e o samba e comidas típicas como o baião-de-dois, o acarajé e a feijoada.

No Brasil, como você pode conferir aqui, a miscigenação fez que muitos bens relacionados à cultura englobassem características de outros povos, especialmente de índios, negros e uma gama imensa de imigrantes (portugueses, italianos, alemães, árabes, judeus etc.). Embora em sempre a convivência entre tantos povos tenha sido harmônica, pode-se afirmar que dessa diversidade formou-se o que chamamos de cultura brasileira.

 O órgão responsável pela preservação patrimonial no Brasil é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN. No site deles é possível descobrir alguns bens materiais e imateriais já protegidos. Clique aqui e confira.

Adaptado de : "10 Lições de sociologia para um Brasil cidadão", de Gilbert Dimenstein et. all.

Cultura Brasileira




Ao longo da história, a base da população brasileira foi constituída pela intensa mestiçagem entre índios, africanos e portugueses (além de pequena participação de franceses e holandeses). Durante os dois primeiros séculos de formação do nosso povo, essa foi a marca que o distinguiu. A partir daí, todo imigrante estrangeiro só reforçou a nossa miscigenação.

Isso quer dizer que a base da nossa cultura resulta da mistura não apenas de três etnias, mas, sobretudo - o que é importantíssimo - de três culturas diferentes. E essa informação é muito mais relevante do que se costuma imaginar. Um dado biológico acerca do brasileiro: a grande maioria do nosso povo tem sangue indígena e mais da metade tem sangue negro. Um dado antropológico (cultural) do povo brasileiro: a colonização portuguesa no Brasil só foi possível porque nós assimilamos e adaptamos os saberes coletivos de índios e negros [e brancos], que nos permitiram sobreviver no mundo tropical, extremamente difícil de ser administrado pelos padrões (culturais) europeus. [...]

Embora as origens da nossa população e da nossa cultura tivessem por base três povos com saberes coletivos muito distintos, uma semelhança curiosa nos unia. Um traço comum às três culturas: privilegiar o presente e não pensar no futuro de longo prazo.

Para um povo indígena que vivia em aldeias ultra saudáveis e num meio ambiente farto e bem conhecido não fazia sentido se preocupar com o amanhã. Todos sabiam que  a sobrevivência estava garantida e que a natureza forneceria tudo o que fosse necessário ao longo do ano inteiro.

Para o africano trazido à força, a condição de escravo impunha pensar apenas na sobrevivência do dia seguinte. Mirar o futuro, em geral, só o fazia deparar com a triste perspectiva de consumir a vida num trabalho brutal, sem família, sem vida própria.

Para o português que viera aventurar-se em terras tropicais, o que o movia era a chamada "febre do ouro". [...] No Brasil, o português tinha pressa. Habitualmente, ele não vinha construir um mundo novo, mas usufruir das riquezas e a liberdade que a Europa seria impossível obter. Assim, é de se supor que os portugueses, em geral, estavam aqui "narcotizados" pela perspectiva do curto prazo: gozar o dia de hoje numa terra sem pecado e sonhar com a sorte de amanhã.

A confluência de três culturas referentes à perspectiva do curto prazo tornou-se uma marca importante na formação da cultura brasileira. A partir do século XIX, no entanto, um fato histórico importante interferiu nessa tendência: a imigração de outros povos com perfis culturais diferentes para o Brasil.

Alemães, italianos, judeus, árabes e japoneses, todos de origem muito humilde, instalaram-se em diversas regiões do país com o firme propósito de construírem um mundo bem mais próspero para eles mesmos, suas famílias e seus descendentes. Para esses imigrantes, a perspectiva do longo prazo era essencial. Toda sua estratégia estava assentada na construção de um futuro em nome do qual abandonaram suas pátrias e, para isso, dispuseram-se a enfrentar um mundo desconhecido e quase sempre muito hostil.

O sucesso do imigrantes e seu traço cultura de pensar o dia de amanhã influenciaram sobremaneira no padrão cultural brasileiro: o de pensar, sobretudo, no dia de hoje.
 
Extraído de: "10 Lições de Sociologia Para um Brasil Cidadão", de Gilberto Dimensteis et. all.